Decisão de invadir foi tomada depois de TV mostrar fuga

A decisão de que o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, seria invadido foi tomada após a divulgação das imagens de centenas de traficantes em fuga da Vila Cruzeiro, na Penha, para o conjunto de favelas vizinho. Na noite daquele dia, por volta das 22 horas, o governador Sérgio Cabral (PMDB) foi pessoalmente à sede da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro e selou a decisão estratégica.

Bastidores: Gabriela Moreira, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

O encontro entre o governador e o secretário José Mariano Beltrame foi cordial, mas fontes ligadas a Cabral afirmam que à tarde, durante a transmissão por canais de televisão das imagens do bando em fuga, o governador e o secretário travaram um ríspido diálogo por telefone.

Durante toda a sexta-feira, policiais das tropas de elite da Polícia Militar e da Civil, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) reuniram informações sobre o terreno e sobre os traficantes do Alemão. Em parte do dia, a secretaria trabalhava com a hipótese de invadir o conjunto de favelas no dia seguinte, sábado, mas a invasão foi adiada para domingo, para que mais informações fossem recolhidas e para que as tropas pudessem ser preparadas.

Por volta das 17 horas do último sábado, a secretaria organizou uma reunião com duração de cerca de uma hora para explicar como seria a invasão. A apresentação inicial coube aos chefes do Bope e da Core. Participaram ainda do encontro os chefes das polícias estaduais e da Polícia Federal, além de homens da Secretaria de Segurança. O Exército não participou desta reunião, mas foi informado sobre o plano logo depois.

No domingo, dia da invasão, por volta das 14 horas, Beltrame e a cúpula das polícias, além de secretários de Estado, almoçaram no Palácio das Laranjeiras, em clima de confraternização.

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