Debate: Um menor de idade deve ser internado compulsoriamente?

Ronaldo Laranjeira

, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

Sim

Defendo essa medida aqui em São Paulo há bastante tempo. Defendi até na Assembleia Legislativa, mas ainda não há consenso. A classe média alta, quando tem um filho usuário de crack, não espera ele chegar à cracolândia e faz a internação. Só não existe isso no serviço público. A internação estabiliza a pessoa, é a parte médica. É preciso depois reconstruir a vida social dela.

Criança não é para estar na rua, não tem autonomia. É um horror tratar e atender os menores de idade nas ruas. Se eu morresse e meus filhos ficassem na rua, gostaria que o poder público cuidasse deles.

É MÉDICO ESPECIALISTA EM DEPENDÊNCIA

Dartiu Xavier da Silveira Filho

Não

Não há comprovação científica de que as internações sejam mais eficazes contra o uso de drogas, e há evidências do contrário. As pessoas do movimento pró-internação são ligadas às clínicas e têm interesse nisso.

O consumo de drogas por crianças nas ruas é somente um dos elementos de um xadrez complicado. Em pesquisas, chegou-se à conclusão de que não se trata de dependência. Elas diziam que nem gostavam da droga; tinham de se prostituir nas ruas e, para isso, a usavam como analgésico. Internar é uma medida arbitrária, que pressupõe que o entorpecente leva à questão da exclusão social. Parece teatro do absurdo.

É PSIQUIATRA E ESPECIALISTA EM DEPENDÊNCIA

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