Debate: mais vagas podem ajudar os dependentes?

Não  

O Estado de S.Paulo

08 Maio 2013 | 02h06

 

Sou contra qualquer política que privilegie a internação. A internação é importante, sim, mas como parte do tratamento e apenas para uma pequena parcela dos dependentes. Mesmo aqueles pacientes que necessitam passar pela internação por um tempo têm de sair e ter atendimento ambulatorial.

Isso não vale só para drogas. Nem toda doença é tratada com internação. O poder público vende internação como solução mágica. Alguns familiares de usuários estão tão cansados que querem mesmo isso solução, mas é importante dizer que não há saída mágica. Pesquisas mostram que entre 80% e 90% dos pacientes vão ter benefício apenas com tratamento ambulatorial.

Outro problema que vejo na proposta é o credenciamento de clínicas particulares. É importante saber quais são elas. Dados mostram que de 70% a 90% dos dependentes apresentam problema psicológico. Nem todas as clínicas têm um psiquiatra.

 

* Thiago Fidalgo, psiquiatra e coordenador do programa de atendimento a dependentes da Unifesp

 

Sim  

 

Na angústia de ajudar dependentes químicos, principalmente crianças e adolescentes, o aumento no número de vagas de internação por meio de parcerias com entidades privadas é bem-vindo. Se depender só do governo, infelizmente não vamos sair muito do lugar.

Por outro lado, não adianta pensar só na internação. O poder público não tem leitos suficientes para atender todo mundo. No plantão judiciário montado no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), percebemos outros problemas: o governo às vezes demora dois dias para mandar ambulância ou arruma vaga em hospital onde dependentes químicos ficam com pacientes com outros problemas psicológicos.

Se, após a internação, o paciente não tem família para voltar, trabalho, escola, acabará voltando para a droga. Por isso, é importante que o tratamento também leve em conta capacitação e aproximação familiar.  

 

 * Antônio Carlos Malheiros, desembargador e coordenador da vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça

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