Debate: 30 anos de concessão do Estádio do Pacaembu

Prefeitura abre debate para saber se entrega o Pacaembu ao Corinthians ou pemanece na administração

Martín Fernandez, Jornal da Tarde

25 Março 2009 | 11h53

O futuro do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho está em jogo. A Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, responsável pela administração do Pacaembu, não tem mais recursos para sustentar a manutenção do campo de futebol. A melhor solução, defendida pelo secretário Walter Feldman, seria repassá-lo ao Corinthians por meio de uma concessão. O prazo em caso de acordo não está fechado, mas a Prefeitura entende ser 30 anos um período satisfatório.

 

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O clube do Parque São Jorge, cansado de ver fracassar uma dezena de projetos de casa própria, aceita discutir a alternativa de administrar o Pacaembu, desde que algumas exigências sejam atendidas. "O que nós queremos é produzir o debate", explica Feldman. "Se depois dessa discussão ficar claro que o melhor é manter a situação, vamos deixar o Pacaembu do jeito que está. Mas novos investimentos estão completamente descartados."

 

O debate começa nesta quarta-feira, 25, no JT, e continuará pelos próximos dias, com reportagens, artigos e enquetes sobre o futuro do Pacaembu. A Rádio Eldorado (700 kHz) e o portal estadao.com.br participarão dessa discussão.

 

 

A identificação do Corinthians e de sua torcida com o estádio é inegável. Por isso, há quem defenda o repasse como algo natural. "Seria maravilhoso", afirma o especialista em gestão de clubes e marketing esportivo da Casual Auditores, Amir Somoggi. "O Corinthians poderia ter mais receitas, passaria a controlar tudo. Poderia explorar melhor o local. Vejo o Pacaembu como ótima opção comercial."

 

Mas há tantos ou mais argumentos contrários à ideia do repasse para apenas um usuário. "Não gosto", diz o professor emérito da USP, José Sebastião Witter, autor de vários livros sobre história e futebol. "O Estádio Municipal de Pacaembu, faço questão de chamá-lo assim, nasceu público e deve continuar público."

 

A ONG Viva Pacaembu, por exemplo, que reúne moradores do bairro, já contratou um escritório de advocacia para tentar barrar na Justiça a tentativa da concessão. "É uma dupla confissão de incompetência", critica Iênidis Benfati, presidente do conselho da ONG. "Da Prefeitura por não conseguir administrar um bem público, e do Corinthians que não constrói seu próprio estádio."

 

O maior temor dos vizinhos é que o Corinthians aumente a frequência de uso do campo. O secretário garante que o novo administrador, se houver um, será obrigado a construir estacionamentos e, portanto, melhorar o tráfego na região.

 

Financeiramente, do jeito que está, não dá. A conta não fecha. Ano passado, sem os gastos com o Museu do Futebol e o clube-escola, a Prefeitura desembolsou R$ 2.532.184,65. As receitas, no mesmo período, foram de R$ 1.143.526,99 - um prejuízo, portanto, de R$ 1.388.657,66.

 

"Não podemos mais gastar tanto dinheiro", diz Feldman. "Por que tudo precisa dar lucro?", rebate o professor Witter.

 

O debate está aberto.

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