De saída, gestão Haddad cria sua última ciclovia

Trecho está sendo implementado na Barra Funda; meta de 400 quilômetros de faixas exclusivas para bicicleta foi cumprida

O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - O zelador Domingos Araújo, de 51 anos, pedalava rápido para casa ontem à tarde, pela Avenida Marquês de São Vicente, na altura do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa (zona oeste). É um trajeto que conhece bem, pois o faz há 15 anos, de Higienópolis para Pirituba, mas ontem parecia mais fácil. Em vez de disputar espaço com carros e ônibus, ele aproveitava a ciclofaixa que está em implementação. 

Meio estreita e esburacada, ocupando uma parcela da faixa da direita, ainda assim foi algo que trouxe alívio a Domingos. “A gente precisava demais. Antes os carros passavam por cima, agora está ótimo”, contava animado ao se dar conta de que a maior parte do trajeto que faz entre casa e trabalho está coberto com as faixas vermelhas.

Faltando três dias para o fim da gestão Fernando Haddad (PT), a Prefeitura continuava ontem sinalizando novas ciclovias, deixando as últimas marcas do que provavelmente foi a maior bandeira da administração petista; a política de ampliação não deverá ter continuidade sob a gestão do prefeito eleito João Doria (PSDB).

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o trecho 2 da ciclofaixa da Marquês de São Vicente é o último que será implementado por Haddad, apesar de provavelmente não ser concluído até o dia 31, seu último dia no cargo. Estão sendo pintados mais 2,3 quilômetros de faixas na avenida entre a Praça Luís Carlos Mesquita e a Avenida Dr. Abraão Ribeiro; na Rua Norma, sua continuação, a partir desse ponto até a Rua dos Americanos e em ruas adjacentes. 

Haddad tinha como meta implementar 400 km de vias até o fim deste ano, o que foi alcançado, mas não sem polêmicas. Até o trecho novo da Marquês não passou incólume. Os ciclistas Victor e Carla Garcia, de 58 e 47 anos, que passeavam pela via, criticaram sua largura. “Os carros deveriam manter 1,5 metro de distância, mas essa faixa ficou muito estreita”, disse Victor. De acordo com a CET, o trecho ainda não foi finalizado.

Para o cicloativista Alex Gomes, do blog “São Paulo na Bike”, o balanço é positivo. “Mesmo com vários problemas (sinalização confusa, buracos, definições questionáveis de certas rotas), elas foram fundamentais para reduzir o número de acidentes com ciclistas e estimular novos usuários. E tornaram claro para o paulistano que a bicicleta é um modal importante.”

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