De Parintins para o barracão da Vai-Vai

Grupo é responsável por promover todos os movimentos feitos pelas esculturas dos cinco carros alegóricos

19 Fevereiro 2009 | 04h59

Eles vêm de longe, lá do Amazonas, para montar o carnaval de São Paulo. Indígenas e descendentes de índios de Parintins são os responsáveis por promover todos os movimentos feitos pelas esculturas dos cinco carros alegóricos da Vai-Vai. A vida desse grupo de nove homens não é fácil. Eles passam cerca de oito meses na capital e, após o carnaval, voltam para sua terra para preparar as alegorias para a festa do boi-bumbá.  Veja também:Vai-Vai faz alerta sobre a saúde  Cobertura completa do carnaval 2009   Blog: dicas para quem quer curtir e para quem quer fugir da foliaEspecial: mapa das escolas e os sambas do Rio e de SP Aqui em São Paulo, o grupo mora no barracão da Vai-Vai. Pegam no batente às 8h e só param após as 22h. "A única recompensa que temos é a financeira, porque ficar longe da família é doído", diz Adrianilson de Souza, de 32 anos, líder do grupo. Ele é casado, tem duas filhas e, com os trabalhos nas escolas de samba, já comprou uma casa e uma moto.Os artistas de Parintins participam do carnaval paulistano há mais de 10 anos. Com uma técnica própria, eles dão movimento aos carros alegóricos. Para isso, fazem um molde da alegoria em papel, depois montam uma escala no chão para dar o tamanho e a proporção exata da estrutura e, em seguida, começam a montagem. Cada carro demora até seis meses para ficar pronto. No Anhembi, cada alegoria é operada por 60 pessoas.Todo o trabalho é feito sem que eles tenham feito curso para isso. "É um dom nosso. Encontramos nossa maneira de dar movimento aos carro", conta Souza. Apesar de ficar distante da família, ele afirma que é um prazer trabalhar em São Paulo. "Aprendi muito aqui. Estou ansioso e nervoso porque nada pode dar errado."

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