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De onde vieram o escudo corintiano e o 1º carro do País?

Ambos foram criados na Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas; ela e a Carlos de Campos, outra instituição semelhante, comemoram 100 anos

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2011 | 03h03

As duas escolas técnicas mais antigas do Estado de São Paulo acabam de completar 100 anos. A Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas fica no Ipiranga, na zona sul, e a Carlos de Campos, no Brás, no centro. Nelas foram idealizados do símbolo do Corinthians ao primeiro carro produzido no Brasil. Por suas carteiras passaram artistas como Volpi e osgemeos, empresários como Luigi Bauducco e milhares de outros profissionais paulistanos.

"Todos ficaram marcados. Porque os alunos foram a matéria-prima que produzimos", orgulha-se o professor aposentado Eduardo Giacomo Frassei, de 82 anos. Técnico em mecânica de máquinas, Frassei foi estudante da Getúlio Vargas de 1940 a 1947. E professor de 1949 a 1982. "Passei a vida inteira lá", frisa.

Para celebrar o centenário, no mês de setembro, os alunos de ambas as instituições organizaram exposições internas dos principais acontecimentos históricos no período. Uma linha cronológica que tem conflitos como as duas guerras mundiais e a Revolução de 32, mas também aborda a industrialização e a evolução do próprio País.

A professora mais antiga da Carlos de Campos é Edna Maria Guido Antonio, responsável pelas aulas de Desenho. Ao longo dos 32 anos de instituição, ela viu nascerem ali muitos artistas - como a dupla de grafiteiros osgemeos. "Tenho muito orgulho de ter construído minha carreira aqui", conta ela. "São tantos anos que meu carro já até sabe o caminho sozinho."

Histórico. O decreto que regulamentou as duas primeiras escolas profissionais paulistas data de 28 de setembro de 1911. Era um tempo em que meninos e meninas não podiam estudar juntos. Assim, a Getúlio Vargas nasceu como Escola Profissional Masculina - onde os cursos mais procurados eram os de mecânica, marcenaria e pintura; a Carlos de Campos, como Escola Profissional Feminina - onde as alunas aprendiam confecção, rendas e bordados e a fazer chapéus.

A implementação dessas entidades tinha a ver com o momento brasileiro, de intensa atividade fabril e comercial. São Paulo concentrava grande número de operários e imigrantes. Hoje, ambas estão incorporadas à rede de ensino do Centro Paula Souza, vinculada ao governo do Estado.

Corinthians e Baratinha. Essa história toda deve virar livro, a ser lançado ainda em 2011. "Vamos destacar os principais momentos do ensino técnico e contar sobre personagens interessantes que estudaram aqui", adianta a coautora da obra, Reny Teodoro. Aos 42 anos, ela é professora de Língua Portuguesa do Getúlio Vargas desde 2000. "Fizemos um ano de pesquisa e apuração para escrever o livro. Foi um trabalho imensamente prazeroso e envolvente", relata.

Entre as principais curiosidades está a criação do escudo do time do Corinthians. A arte final, feita pelo ex-jogador e artista plástico Francisco Rebolo Gonsales (1902-1980), saiu da Getúlio Vargas. Rebolo defendeu o clube alvinegro de 1921 a 1927. Quando trocou as chuteiras pelo pincéis, estudou na instituição. O ex-jogador iniciou a carreira artística em 1934.

Não foi o único artista plástico a passar pela instituição - Alfredo Volpi (1896-1988) também sentou em uma dessas carteiras. Outra história que enche a instituição de orgulho foi a criação do primeiro automóvel brasileiro, conhecido como "A Baratinha", em 1917 - cujo design saiu da Escola Masculina, hoje Getúlio Vargas. Entre os ilustres alunos estão ainda o economista Paul Singer e o ilustrador Spacca.

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