Felipe Resk/Estadão
Felipe Resk/Estadão

De luto, camelôs não atuam na Lapa nesta sexta-feira

PM faz patrulha na Rua 12 de Outubro, onde nesta quinta-feira, 18, um policial matou um ambulante durante a Operação Delegada

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2014 | 11h24

SÃO PAULO - Na manhã após um policial militar ter matado o camelô Carlos Augusto Muniz Braga, de 30 anos, durante a Operação Delegada na Lapa, na zona oeste de São Paulo, não há comércio informal na Rua 12 de Outubro. Várias viaturas e motocicletas da Polícia Militar fazem patrulha do início ao fim da via. Uma viatura também está estacionada na  esquina da Rua 12 de Outubro com a Rua Dronsfield, a poucos metros do local da morte de Braga.

Mesmo com receio que haja outras confusões na 12 de Outubro, a maior parte das lojas abriram as portas nesta sexta-feira, 19. O movimento,  no entanto,  é muito abaixo do comum. "Até agora, vendemos menos da metade do que costumamos vender", afirmou o gerente de uma loja de calçados Fábio Gonçalves de Oliveira.

"O movimento está péssimo. Se não tem mercadoria na rua, também não tem cliente", disse uma representante de uma loja de roupa. "Só quem apareceu foram os trabalhadores da região. Está todo mundo com medo", completou.

Uma perfumaria em frente ao local do crime está fechada. Em intervalos de poucos minutos, viaturas da Força Tática da PM fazem uma ronda pela Doze de Outubro. Por volta das 10h, a reportagem do Estado contou a presença de 14 PMs do 4º Batalhão da PM e também da Força Tática para observar o movimento de pessoas.

Alguns camelôs também começam a chegar, mas sem qualquer produto para vender. Eles apenas conversam entre si e comentam, revoltados, sobre o que aconteceu. "Hoje não vamos trabalhar. Estamos de luto pelo nosso parceiro."

Um vídeo mostra o autor do disparo com um spray de pimenta na mão esquerda e uma arma na direita. De acordo com as imagens, o camelô tentou arrancar o spray da mão do policial, que atirou com a direita. O vendedor ambulante ainda tentou sair correndo, mas caiu a alguns metros.

Prisão. Em entrevista à Rádio Estadão, o comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, admitiu que houve erro na ação que resultou na morte do vendedor ambulante. Segundo ele, as primeiras imagens de uma loja deixavam "dúvidas do momento do disparo", mas, ao analisar outros vídeos, o coronel concluiu que o PM se precipitou e disparou de forma equivocada.

O comandante-geral da PM negou que houve despreparo da corporação e ressaltou que, de todas as polícias militares do País, a que tem "melhor e mais longa formação" é a de São Paulo. "De um universo de 88 mil homens e mulheres, existem profissionais que erram. Não posso falar em despreparo, mas do erro de um policial", declarou. 

A Operação Delegada é um convênio entre a PM e a Prefeitura para o combate do comércio irregular, no qual o policial trabalha no horário de folga na fiscalização de ambulantes. "É um trabalho justo, honesto e necessário diante da falta de fiscalização que existe", disse o coronel Meira.

Ouça a entrevista do coronel Meira à Rádio Estadão

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP) afirmou que o PM foi preso em flagrante na noite desta quinta-feira, 18, pelo batalhão a que pertence, o CPAM-5, e que foi igualmente autuado em flagrante pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) na madrugada desta sexta-feira. 

O policial já está no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. 

A SSP/SP declarou que o caso é apurado tanto pela Corregedoria da PM quanto pela Polícia Civil e disse ainda que "não compactua com desvio de conduta de policiais".

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