De camarim único ao 4º maior evento de moda

Dez marcas se apresentam desde o início da SPFW, quando a semana era só um sonho

Valéria França, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2011 | 00h00

Das 32 marcas que se apresentam nesta edição comemorativa de 15 anos da São Paulo Fashion Week, pelo menos dez estão desde o início, quando o evento ainda se chamava MorumbiFashion - e ter uma semana de moda no Brasil era apenas um sonho de Paulo Borges. Entre as grifes veteranas, Lino Villaventura e Fause Haten mostraram a coleção ontem. E hoje é a vez de Gloria Coelho.

"Eu sempre falei que o evento só daria certo se todo mundo entendesse a ideia e caminhasse no mesmo sentido, no de criar um protagonismo", diz Borges, o organizador do evento. "As pessoas que trabalham na moda passaram a existir, houve uma profissionalização do setor e um desenvolvimento da imagem."

Na primeira edição do evento, na marquise do Parque do Ibirapuera, o investimento foi de apenas R$ 900 mil. Nesta edição foram gastos R$ 5 milhões. "Tínhamos apenas um camarim geral de beleza, que atendia todas as grifes", diz Ruy Furtado, diretor de desfiles. "As modelos entravam na fila para se arrumar. E o evento inteiro contava com um cabeleireiro, Mauro Freire, e um maquiador, Duda Molinos." Hoje, cada marca tem seu camarim para a troca de roupa e para maquiagem, assim como equipe própria de profissionais para fazer o make-up e o cabelo.

"As agências de modelos ainda não estavam tão profissionalizadas e não respeitavam os horários como hoje", lembra o stylist Paulo Martinez. "Os desfiles tinham até 40 minutos de duração. E atrasavam mais de uma hora para começar." Hoje, as modelos ficam em média de 5 a 7 minutos na passarela para mostrar cerca de 30 looks. Antes eram 90 e a quantidade de modelos no mercado era bem menor.

O jeito de desfilar também mudou. "Elas paravam, punham a mão na cintura e ainda davam pivô", diverte-se Martinez, que está entre os nomes que despontaram no meio. Muitas profissões que não existiam surgiram no decorrer dos 15 anos, caso do stylist, ou, na outra ponta, da coordenadora de camarim.

"Para mim a grande diferença está na sala de imprensa", diz Gloria Kalil, do site Chic. "Em 2001, tive de alugar um ônibus para montar um estúdio com internet. A sala de imprensa só tinha máquina de escrever. Hoje, há 116 computadores e 2,4 mil jornalistas credenciados.

"A moda hoje está na moda", diz Adriana Bozon, estilista da Ellus, cuja equipe de desenvolvimento conta com quase cem profissionais. Enquanto as grifes investem em pesquisa, Paulo Borges pensa na evolução da semana de moda. "No início, o que eu mais ouvia era se haveria a próxima edição." A SPFW é o quarto evento de moda mais importante do mundo. E em junho cresce mais. "Teremos um salão de design com a SPFW." / COLABOROU FLAVIA GUERRA

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