De brejo à área mais nobre de São Paulo

É difícil imaginar que as largas e arborizadas ruas que hoje formam a nobre região conhecida como Jardins eram no passado um lugar inóspito e alagado, o caminho pantanoso e cercado por brejos usados por lavadeiras e pescadores que se dirigiam ao Rio Pinheiros.

LIZ BATISTA, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2015 | 02h04

Os Jardins surgiram a partir de um revolucionário projeto urbanístico e arquitetônico da City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited, ou Companhia City, como é conhecida a mais antiga empresa urbanística em funcionamento na capital.

O conceito de bairros-jardins desenvolvido para os subúrbios da Inglaterra se tornou sucesso na Europa no início do século 20 e, em 1913, começou a ser trazido para o País pela City. Os terrenos da várzea do Caaguaçu, Villa América e Freguesia do Espírito Santo da Boa Vista, na vertente do Pinheiros, pertencentes aos coronéis Joaquim e Martinho Ferreira, foram arrendados pela Companhia City, que ali ergueu o primeiro bairro planejado de São Paulo e a primeira City Garden da América do Sul, o Jardim América.

Antes da divisão dos lotes, a área teve de ser drenada e aterrada em 50 centímetros, para o escoamento das águas pluviais, que em dias de chuva tornavam intransitável toda a região até onde hoje fica a Avenida Rebouças.

Elite. Os lotes paulistanos, que em nada lembravam as dimensões dos destinados aos operários ingleses, foram pensados para servir à nova elite de São Paulo, que começava a procurar terrenos além da região da Avenida Paulista. Os Jardins Europa, Paulista e Paulistano vieram depois, seguindo o sucesso da primeira empreitada.

A formação dos Jardins remonta à história social e econômica de São Paulo e reflete as transformações dos anos 1920 e 1930.Os casarões dos barões do café na Avenida Paulista deixavam de ser a imagem da prosperidade econômica para dar lugar às mansões dos grandes industriais nos Jardins.

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