De 3 motociclistas internados, 1 fica com sequela

Pesquisadores acompanharam 255 motoqueiros em instituto do HC; de 84 que precisaram de internação, 69 ficaram inativos por mais de seis meses

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

               

 

 

Oito em cada dez motociclistas internados no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas de São Paulo permanecem mais de seis meses afastados do emprego, inativos, vítimas de lesões limitadoras como fraturas, problemas neurológicos e até amputações.

De acordo com dados do levantamento médico do IOT, que acompanhou durante seis meses 255 motociclistas atendidos pelo instituto, mais da metade dos 84 pacientes que precisaram de internação após acidente de moto apresentou fratura exposta, um terço teve sequela permanente e 15%, paraplegia ou amputação. Nesse universo, o trabalho do IOT estima em R$ 3 milhões os gastos do instituto para tratamento das lesões graves dos motociclistas - na média, esse grupo ficou 18 dias internado.

Para os médicos do IOT, os números servem como mais um alerta sobre os riscos que envolvem a rotina dos motoqueiros no trânsito de São Paulo. Em 2010, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ocorreram 478 mortes de motociclistas na capital, número 11,7% maior do que o registrado no ano anterior. "O foco do nosso trabalho não é o acidente fatal, mas aquele em que a vítima sobreviveu. Constatamos que o tempo de inatividade é grande e o grau de lesões graves e complexas, alto, com casos de invalidez", afirma o médico Marcelo Rosa de Rezende.

O levantamento do IOT fará parte de um painel mais abrangente, que será apresentado amanhã no 1.º Fórum Segurança e Saúde. O evento será realizado no teatro da Faculdade de Medicina da USP, com o foco nos motociclistas. "Vamos discutir os dados e propor soluções. A questão das motos (no trânsito) está ficando intolerável. São números de guerra", diz a médica Júlia Greve, coordenadora do fórum.

Para Dirceu Rodrigues, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), as soluções urbanas passam pela criação de corredores exclusivos. "Veículos leves necessitam de locais próprios. Pedestres, ciclistas e motociclistas são os três grupos mais desprotegidos em nosso trânsito."

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