De 11 casas, especialistas aprovam apenas três

'Estado' visitou boates indicadas por leitores na web por meio da hashtag #baladainsegura

O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2013 | 02h01

Com auxílio de cinco especialistas em prevenção contra incêndios, a reportagem do Estado visitou 11 baladas da capital. Todas foram indicadas pelos leitores do portal estadão.com.br, que, por meio da hashtag #baladainsegura, enviaram pelas redes sociais 986 mensagens com fotos e sugestões de locais a serem visitados - todos eles serão repassados aos órgãos competentes para fiscalização.

Das casas visitadas em São Paulo, apenas três foram consideradas "impecáveis". A The Week, na Lapa, com 4 mil m² de área construída - e cerca de 5 mil m² de área livre -, tem várias portas largas que podem virar saídas de emergência em caso de pânico. A Clash Club, na Barra Funda, chamou a atenção pela sinalização correta. A Villa Mix, na Vila Olímpia, é revestida por material anti-inflamável.

A maioria das casas inspecionadas tem boa infraestrutura, mas especialistas apontaram algumas falhas. A Rey Castro, na Vila Olímpia, é quase perfeita. O engenheiro de segurança Carlos Eugênio só reprovou o extintor de água ao lado do palco, que deveria ser de CO2 por estar perto de material elétrico. "Os bombeiros falaram que tudo bem manter o de água", diz Milena Malzoni, uma das sócias do Rey Castro.

Problema igual apareceu no Na Mata Café, no Itaim-Bibi, inspecionada pelo engenheiro Ayrton Barros, que apontou outras irregularidades. "O corrimão da escada é mais largo do que o recomendado e no camarote há grades com barras soltas." A casa informou que há dois anos teve a orientação dos bombeiros para reforma do local e instalação dos acessórios, como o corrimão.

Problemas. Na The History, na Vila Olímpia, a segurança ficou comprometida pela decoração. Todos os extintores estão obstruídos por sofás. As paredes forradas por espelhos têm placas de sinalização pouco visíveis. Entre todas as casas, a She Rocks, no Itaim-Bibi, foi a única com portas de emergência mais estreitas do que o indicado. As duas casas afirmam que estão em dia com as exigências dos bombeiros.

Já no Carioca Club, em Pinheiros, além de extintores atrás de lixeiras e hidrante obstruído, o sistema de alarme e a luz de emergência estavam desligados. O especialista em segurança anti-incêndio Sérgio Ceccarelli notou ainda que as portas da casa abrem para dentro, o que pode atrapalhar a saída.

Ricardo Garcia, gerente do Carioca, diz que inspeciona a casa toda noite. "Temos ambulância na porta e bombeiro de plantão. A intenção é sempre melhorar."

No Baixo Augusta, a sinalização de emergência da Outs está abaixo dos 1,80 metro de altura, como manda o figurino. "Já estamos providenciando novas placas, de LED", disse Edu Ramos, dono da balada.

Na mesma rua, a Beco 203 não tem corrimão na escada e fios expostos em vários pontos. "Jamais passaria em uma inspeção elétrica", disse Moacyr da Graça, da USP. Em nota, a casa respondeu que "a fiação elétrica aparente é a de funcionamento de palco, como microfones e aparelhos de som". O problema da escada também será resolvido.

Na Rua Frei Caneca, a Lapeju teve a pior avaliação: mesas obstruíam a saída e extintores não eram suficientes. Um deles estava vencido. "Além disso, o extintor vencido é químico. Para locais de madeira como esse, deveria ser de água", afirma o arquiteto Silvio Antunes, da empresa de consultoria FireStop. Os responsáveis pela casa não foram localizados. / ARTUR RODRIGUES, NATALY COSTA E VALÉRIA FRANÇA

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