DCE da USP diz que mais PMs não garantem segurança no campus

Diretório teme aumento da repressão policial; associação dos professores evita entrar na polêmica

Jair Stangler, do estadão.com.br,

18 de setembro de 2011 | 23h00

Para o Diretório Central dos Estudantes da USP, o aumento do efetivo policial não é uma solução para o problema de segurança no campus. "Não podemos esquecer que a polícia já estava atuando na época em que aconteceu o assassinato", pontua o estudante de Relações Internacionais Thales Carpi, 21, integrante da diretoria do Diretório Central dos Estudantes.

 

O estudante se mostra preocupado com um possível aumento da repressão policial no campus. A questão chegou a ser abordada pelo coronel Alvaro Camilo Batista, comandante da PM, e pelo reitor João Grandino Rodas, quando o convênio foi assinado.

 

"Invasão da reitoria é uma quebra da ordem pública, mas o que vai prevalecer é o diálogo com a comunidade", disse o coronel. "As manifestações são parte da democracia. Elas não serão impedidas", garantiu o reitor.

 

Para o estudante, a preocupação do movimento estudantil com a repressão policial é legítima. "Existem casos recentes de repressão da Polícia Militar em manifestações, inclusive fora do campus. Eu estive em algumas. Na luta contra o aumento (da tarifa de ônibus), teve repressão na marcha da maconha também", lembrou.

 

Defendeu ainda a invasão da reitoria como forma legítima de fazer pressão para ter as reivindicação do movimento. Questionado se a posição contrária do movimento à presença PM seria para que os alunos pudessem "fumar maconha", Thales limitou-se a afirmar que este também é um debate que precisa ser feito. O coronel Alvaro Camilo falou na assinatura do convênio que a PM também irá combater o tráfico de drogas no campus.

 

Thales fez coro ao pedido por melhor iluminação do campus e propôs uma ocupação maior do campus por parte da população como forma de coibir a violência. Defende uma maior integração das comunidades do entorno, citando a São Remo. "Lugares em que há movimentação de pessoas, que são ocupados pela população, tendem a ser menos violentos", analisa. Para Thales, o erro é reduzir a questão da segurança à simples presença ou não da polícia. Segundo ele, esta é uma maneira que o reitor encontrou de camuflar o debate.

 

A Associação dos Docentes da USP (Adusp) preferiu não se manifestar a respeito do tema, por não ter recebido a minuta do convênio, segundo explicou o professor Cesar Augusto Minto, vice-presidente da entidade.

 

No dia 19 de maio, no entanto, um dia após o assassinato de Felipe, a Adusp emitiu nota criticando indiretamente a opção pelo aumento do efetivo da PM na Cidade Universitária. Na nota, a entidade cobra a "iluminação eficiente de todas as vias, estacionamentos, prédios e outros espaços; ampliação do contingente da Guarda Universitária; reforço da segurança nos estacionamentos; melhor oferta de transporte coletivo".

 

Já o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) tem insistido na crítica à terceirização dos funcionários da segurança para explicar os problemas que atingem a universidade. Segundo Aníbal Cavali, diretor do Sintusp, o processo de terceirização acaba fazendo com que os funcionários da área não tenham vínculos com a comunidade acadêmica. Ele avalia ainda que o efetivo da guarda (110 funcionários, segundo a reitoria da USP) não pode dar conta dessa questão.

 

Ele também teme a repressão da PM, e teme ações como agressões a trabalhadores e estudantes e extorsão. "A todo momento a gente vê denúncias de que eles estão envolvidos em crimes, como a gente vê no noticiário da imprensa", afirma. Cavali defende ainda maior presença da população como maneira de combater a violência no campus e que se faça um trabalho social junto às comunidades do entorno, como na São Remo.

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