Das passarelas às novelas, cada um tem um ponto de vista

Passa pela tevê - especialmente pelas novelas - a popularização da moda. Aliás, talvez o melhor termo seja o "alcance" da moda - para usar um termo de pesquisas de opinião. E quem faz moda na tevê não são os estilistas que desfilam na SPFW, mas os figurinistas que devem criar uma imagem para os personagens. Personagens que devem ser reflexo de pessoas comuns, que existem na vida real. Então é interessante ouvir o que um figurinista global pinça dos desfiles pro outono-inverno 2011, especialmente num dia de poucas ideias.

LilLian Pacce, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2011 | 00h00

Marília Carneiro, que assina o figurino da novela Ti-ti-ti e já fez o Brasil usar a microssaia de Deborah Secco em Celebridade ou a meia de lurex de Sonia Braga em Dancin" Days, está acompanhando os desfiles. Adorou as cores da Maria Bonita, especialmente o ferrugem com marinho, e tem pena de desmembrar os looks mostrados na passarela de tão perfeitos que estavam. E gostou muito da Huis Clos. "Comovente", resumiu sobre o trabalho da estilista Sara Kawasaki.

Marilia estava positiva depois de assistir ao desfile da portuguesa Ana Salazar, na tarde de ontem. E aí entra a questão do ponto de vista. Para ela, foi um bom desfile, com muitas peças para vestir seus personagens: jaquetas de couro punkish, vestidos de seda artsy, casacos militaristas. "Quero aproveitar o fim da novela para passar informação do inverno." Para mim, foi um desfile quase medíocre, pois trazia apenas informações conhecidas, quase envelhecidas, numa edição previsivelmente eclética.

Você pode pensar: hummm, que saia-justa! De maneira nenhuma! Cada profissão tem um papel no mundo da moda. E cada um de nós olha para a moda de acordo com seu objetivo. O meu, como analista, comentarista ou crítica, busca novos desejos, técnicas bem aplicadas, grandes ideias. Ideias que podem ter uma estranheza inicial, que podem precisar de reflexão e de tempo para serem compreendidas, mas acima de tudo ideias que provocam alguma emoção.

Confesso que me surpreendi com a teatralidade da apresentação de FH por Fause Haten. As modelos tinham um ar de filme de David Lynch, todas loiras, com vestidos austeros - mesmo quando forrados de cristais. Depois, sentadas na pequena plateia montada na passarela, assistiram a um pas-de-deux em torno de um piano de cauda. E, no fim, rolou mesmo um pas-de-deux entre moda e dança. Não era novo nem grandioso, mas tinha harmonia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.