Das áreas alagadas, 30 são velhas conhecidas

Pontos da Marginal do Tietê, como sob as Pontes Cruzeiro do Sul, Bandeiras, Piqueri e Casa Verde, ficam abaixo do nível de cheia do rio; falta de obras agrava problema

Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2011 | 00h00

Dos 125 pontos de alagamento registrados na cidade de São Paulo entre a noite de segunda-feira e a manhã de ontem, 30 são bem conhecidos do paulistano e ficaram inundadas mais de uma vez desde o início do período de chuvas mais fortes, em setembro.

Endereços como o cruzamento da Radial Leste com a Avenida Álvaro Ramos, na zona leste, e da Avenida Sumaré com a Praça Marrey Júnior, na zona oeste, alagaram, respectivamente, 8 e 7 vezes entre 1.º de setembro e ontem, de acordo com levantamento feito com base em informações disponíveis no site do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura.

"O que percebemos é que tudo o que se fez para conter as enchentes não representou nada", afirma o engenheiro do Instituto de Engenharia, Marcelo Rozenberg. Segundo ele, a única maneira de evitar transtornos por causa da chuva é identificar e dar prioridade a obras de ampliação de galerias e desassoreamento de rios.

Na Marginal Tietê, os alagamentos ocorrem normalmente embaixo das Pontes Cruzeiro do Sul, Bandeiras, Piqueri e Casa Verde. Isso porque, nesses pontos, a via é mais baixa do que o nível de cheia do rio. "As bombas não conseguem devolver a água para o Tietê em dias de chuva como a de ontem. As bombas jogam a água no rio e o rio devolve para as pistas", explica o especialista em recursos hídricos do Instituto de Engenharia, Júlio Cerqueira César Neto.

Só embaixo da Ponte Cruzeiro do Sul foram registrados no período pelo CGE sete alagamentos.

"Dentro do previsto". Na Ponte do Piqueri, que ficou intransitável na noite de ontem, foram registrados alagamentos nos dias 13 de dezembro e 5 e 10 de janeiro deste ano. "A solução para evitar transtornos nesses pontos é ampliar a calha do Tietê, investir em obras de desassoreamento e na limpeza frequente. O que não dá é para culpar São Pedro. As chuvas neste período estão dentro do previsto", afirma Cerqueira César.

Na Marginal do Rio Pinheiros, a região onde fica o Ceagesp é, normalmente, a primeira a alagar quando chove. "É uma região de baixada e, por consequência, a primeira a receber de volta a água que não foi comportada pelo Rio Pinheiros", diz o engenheiro.

Ele explica que sempre que as chuvas são fortes, as comportas que ligam o Pinheiros ao Tietê são fechadas e parte da água do Pinheiros é bombeada para a Represa Billings. "O que acontece é que as bombas não funcionam como deveriam e esse rio tem problemas de assoreamento e calha insuficiente para receber tanta água."

Entre setembro e ontem, foram registrados alaçamentos pelo CGE em dez ocasiões. Os pontos mais comuns são embaixo das Pontes Eusébio Matoso e Engenheiro Roberto Rossi Zuccolo.

Obras em estudo. A Prefeitura respondeu, por meio de nota, que alguns pontos, onde alagamentos são constantes estão em estudo para realização de obras de ampliação de galerias. É o caso da interligação da Radial Leste com a Avenida Álvaro Ramos.

No encontro da Avenida Sumaré com a Praça Marrey Júnior, a Prefeitura de São Paulo diz que o projeto executivo de macrodrenagem das bacias dos Córregos Sumaré e Água Preta está em fase de conclusão. Ele prevê obras de ampliação e reforço do sistema de galerias para esses córregos.

No que diz respeito à Marginal Tietê, a informação é a de que as bombas estão funcionando normalmente.

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