Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Dante Alighieri festeja um século

Colégio lança livro, encomenda obras de arte e organiza concerto na Sala São Paulo

Valéria França, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2011 | 00h00

Em 1911, uma chácara de produção de flores, com 19,8 mil metros quadrados de área, foi vendida por 60 contos de réis para abrigar o Instituto Medio Ítalo Brasiliano Dante Alighieri, na época um internato com escola de ensino médio em anexo. Na região que corresponde hoje ao atual bairro dos Jardins, surgiu o prédio Leonardo da Vinci, em forma de U, com frente para uma rua de terra, a Alameda Jaú.

O prédio continua ali, bem conservado e maior - ao longo do tempo surgiram mais quatro edifícios; o último e mais moderno, o Michelangelo, de 1993, tem sala de música e de robótica -, mostrando a evolução de um colégio que se transformou num dos mais tradicionais da cidade. No dia 9 de julho, o Dante Alighieri comemora um século.

As festividades começaram no fim do ano passado com um cruzeiro, que saiu de Santos para Búzios, para promover o encontro de alunos e ex-alunos. A programação é extensa. Em razão do centenário, o colégio já ganhou nova iluminação, livro centenário bilíngue e história em quadrinhos. E haverá ainda um concerto na Sala São Paulo, hoje, e uma cerimônia na Câmara Municipal de São Paulo, dia 13.

Quem entra no prédio central da administração, o Leonardo da Vinci, percebe fácil que o colégio está em festa. Em homenagem ao pintor renascentista que dá nome ao prédio, o artista plástico Canato, de 45 anos, está pintado três painéis a óleo nas paredes do térreo.

No andar de baixo, Cláudio Callia, de 60 anos, prepara duas estátuas de aproximadamente 2 metros de altura e a reprodução da fachada do edifício. Tudo de bronze, para compor um pórtico que será instalado no corredor de entrada em julho.

Como a maioria dos envolvidos nas comemorações, Canato e Callia são ex-alunos, assim como foram muitos de seus antepassados. Há três décadas, quando havia lista de espera para matrícula, era dada preferência aos filhos de ex-alunos.

Clubinho. "O colégio sempre abriu as portas para os ex-alunos e suas famílias, como se esta fosse a segunda casa ", explica Canato. A instituição estimula a formação de uma espécie de clubinho, que reforça laços, diminuindo as chances de o colégio virar uma vaga lembrança do passado.

"Sempre recebo convite para chás com antigas colegas. E cheguei a ganhar a medalha da Ordem do Sino", conta a ítalo-brasileira Costanza Pascolato. Trata-se de uma homenagem concedida pelo colégio a alguns ex-alunos. O restaurateur Rogério Fasano e o economista Afonso Celso Pastore, entre outros, receberam a mesma honraria.

Quem assina o livro do centenário, Um Século de História, Cultura e Educação, é Ebe Reale, filha do jurista e ex-aluno Miguel Reale, que morreu em 2006. Foi nos corredores que seu pai conheceu sua mãe, Filomena Nuce, quando ainda usava tranças - uma história que Reale lembrava sempre com muita emoção.

A edição é recheada de fotos curiosas, que dão ideia das transformações pelas quais o ensino passou no último século. Em uma delas, de 1930, os alunos aprendem esgrima. Em outra, atual, eles estão em salas com lousas digitais, que funcionam como grandes monitores de computador e dispensam o giz . "O colégio mudou muito. Hoje, os professores também aprendem com os alunos", diz o presidente da escola, José Messina, que estudou no Dante de 1934 a 1946. "Mas continuamos rigorosos. Não é permitido menino de brinco, tatuagem à mostra, nem beijo na boca."

Trajetória

1919. O colégio é intimado a ensinar em português. A maioria do corpo docente era de italianos, que acabavam de imigrar e não falavam a língua local.

1930. É criada a associação dos ex-alunos.

1942. O Brasil rompe relações diplomáticas com a Itália. Proíbe-se a língua italiana no colégio, que em 1943 passa a se chamar Visconde de São Leopoldo e sofre intervenção federal na administração.

1959. É inaugurada uma ala moderna anexa da sede, a Colmeia. Era o primeiro de outros quatro prédios que ainda viriam depois.

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