Danificada por incêndios, Ponte Estaiadinha não tem prazo para reabrir

Atingida por fogo em ocupação duas vezes no final de semana, estrutura teve cabos de sustenção e suportes comprometidos

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2013 | 13h11

SÃO PAULO - Após dois incêndios no final de semana embaixo da Ponte Orestes Quércia, conhecida como Estaiadinha, engenheiros da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana de São Paulo (Siurb) constataram na manhã desta segunda-feira, 18, danos aparentes em seis cabos de sustentação e sete suportes de borracha que travam os estais debaixo da pista. Não há previsão para liberação do trânsito no local.

Como a Estaiadinha ainda é pouco utilizada, não houve impacto para os motoristas na redondeza nesta segunda. A diretora do Departamento de Obras da Prefeitura, Adriana Siani, fez uma vistoria preliminar, mas ainda não foi determinado que tipo de intervenção é necessária. A assessoria do Siurb diz que os testes, como de resistência de cabos ou de passagem de cargas, devem levar mais 24 horas. A Prefeitura ainda avalia qual mecanismo para contratar uma empresa de manutenção emergencial. A obra custou R$ 85 milhões e foi inaugurada em julho de 2011. O projeto é da Dersa, do governo estadual, e como se trata de um acidente, não está sob a garantia da construtora que ergueu a ponte.

O primeiro incêndio ocorreu no sábado, 16, durante a saída voluntária das famílias que ocupavam havia seis meses o terreno. Durante a reintegração de posse, houve um foco de incêndio que durou duas horas até ser controlado pelo Corpo de Bombeiros. Assim como no segundo incidente, no domingo após a reintegração, a causa das chamas ainda não foi explicada. O caso foi registrado no 2º DP (Bom Retiro).

Famílias. Enquanto isso, 70 famílias que haviam ocupado o terreno municipal embaixo da Estaiadinha, na Marginal do Tietê, sentido zona leste, estão acampadas em uma calçada na Avenida do Estado, em frente a um pátio do Detran. Sem água e energia, eles usam banheiro de um posto de gasolina e a sede do antigo Clube Tietê. A alimentação é fornecida por amigos e doações de igreja.

"Estamos nos virando do jeito que a gente pode", diz Josiele Oliveira Santana, de 18 anos, que está em um barraca com o filho de 3 meses. O seu lar é o berçário do acampamento, com três carrinhos de bebê. A sua irmã, de 15 anos, teve um filho de um mês e meio, que também nasceu na favela da Estaiadinha. Uma outra irmã, de 26 anos, tem mais seis filhos. Ao todo, são 12 pessoas na barraca, com os avós das crianças. "Hoje não faço nada. Eu estava estudando, mas como tive meu filho, não vou mais à escola", afirma Josiele.

Em nota, a Prefeitura informou que "tentou insistentemente um acordo amigável com as famílias desde o início da ocupação, em julho". Na quarta-feira passada, os moradores fizeram um acordo de saírem da área, mas "das 450 famílias cadastradas aproximadamente 80 permanecem no local", segundo a Secretaria Municipal de Habitação (Seah).

Uma reunião com os sem-teto será feita nesta semana para dar uma solução ao impasse. A Sehab já ofereceu abrigo provisório e cadastramento em programas de habitação para as famílias.

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