Da Sardenha para o lixo das feiras em SP

Pier Paolo Cossu, arquiteto italiano que tem projetos sustentáveis

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2011 | 00h00

O arquiteto Pier Paolo Cossu deixou a ilha da Sardenha, na Itália, para se preocupar com o lixo que as feiras de negócios paulistanas deixam nas ruas. Para alguém que tem como prioridade em cada projeto o conceito de sustentabilidade, qualquer desperdício deve ser considerado. "Eventos mal planejados ampliam os problemas da cidade: mais lixo, trânsito e destruição da qualidade urbana conquistada."

Primeiro representante de escritório italiano a participar da Casa Cor, Pier Paolo chegou a São Paulo no início de maio. Conhecia a cidade, mas se há algo que sempre lhe chama a atenção - além dos projetos futuristas que tanto aprecia - é a "facilidade" com que as construções vão ao chão. A cada retorno ao País, um pouco da história da cidade virou entulho, para dar lugar a projetos "quase sempre" de qualidade inferior. "Para quem constrói, é lucro a curto prazo. O prejuízo fica para o coletivo, que herdará construções de pouca qualidade e sem história, baseadas em especulação."

Como exemplo de valorização da memória, ele cita cidades que viram em eventos esportivos a chance de melhorar o que já tinham: Torino (Olimpíadas de Inverno de 2006) e Barcelona (Olimpíadas de 1992). Novo alento para uma cidade que tem a Copa no horizonte. "Mas é necessário que seja um modelo contínuo, não episódio isolado no tempo."

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