Guilherme Gaensly/Acervo Light
Guilherme Gaensly/Acervo Light

Da praça Oswaldo Cruz ao Ibirapuera

No princípio, o Paraíso pontuava a travessia da Liberdade para o município de Santo Amaro; depois passou a refletir o que havia de mais novo e vivo na avenida Paulista

O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2015 | 10h00

O Paraíso fica logo ali, no comecinho da Paulista. Passa pela rua Vergueiro e as avenidas Bernardino de Campos, Vinte e Três de Maio, Pedro Álvares Cabral e Brigadeiro Luís Antônio. Nascido no fim do século XIX, pertence à subprefeitura da Vila Mariana e, como tantos outros bairros, surgiu do desmembramento de uma chácara que ia desde os arredores da praça Oswaldo Cruz até o Ibirapuera. As terras pertenciam a um político chamado João Sertório e começaram a ser vendidas.

Durante um bom tempo a principal função do Paraíso era conectar a região central, em especial a Liberdade, ao município de Santo Amaro (que só foi incorporado como bairro de São Paulo em 1935). Aos poucos, porém, o perfil social e físico seria lapidado pelas transformações da região da Paulista, a chegada do bonde e dos barões do café, mais os imigrantes italianos, alemães, sírios e libaneses. Instalaram-se por ali hospitais e centros culturais importantes, além de grandes lojas e até algumas fábricas, que não existem mais.

      1.A chácara

Em 1880, o vereador João Sertório resolveu repartir sua chácara, rasgando as primeiras ruas do bairro. Uma delas era a do Paraíso.

2.O bonde e a avenida

Em 1891, nascia a avenida Paulista, do Paraíso à Consolação. O bonde passou a circular por ela em 1900.

3.Fundação do bairro

Os loteamentos continuaram a ocorrer nos anos seguintes e 1897 é considerado o ano da fundação do Paraíso.

4.Sírios e libaneses

Entre os imigrantes atraídos para a região, predominavam os de origem síria e libanesa. Boa parte deles chegava ao Paraíso, à Bela Vista e à Paulista depois de uma escala residencial na região da Vinte e Cinco de Março, onde atuava no comércio.

5.Os pioneiros e o café

Nas primeiras décadas do século XX, a Paulista já era ocupada por casarões dos industriais pioneiros, sobretudo italianos como o conde Francisco Matarazzo; e também dos barões do café, caso de Fábio Prado, futuro prefeito, Maria Dalmácia de Lacerda Guimarães, a baronesa de Arari, e o alemão Francisco Schmidt.

6.Algumas fábricas

Instalaram-se no Paraíso algumas fábricas, como a da cervejaria Brahma (que comprou a Guanabara, entre os anos 20 e 30) e a marca brasileira de chocolates Lacta. Elas não existem mais.

7.Complexos hospitalares

Instituições importantes da área de saúde, como o Instituto Pasteur (1903), o Hospital Santa Catarina (1906) e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na rua João Julião desde 1923, compõem o complexo hospitalar do Paraíso. A unidade da Maestro Cardim da Beneficência Portuguesa de São Paulo ficou pronta em 1957. O Hospital do Coração, fundado em 1976, tem vários endereços na região (Tomás Carvalhal, Desembargador Eliseu Guilherme, Abílio Soares e Bernardino de Campos).

8.Igrejas

Rua do Paraíso, 25, é o endereço da Catedral Nossa Senhora do Paraíso (1952). Em 1954, no 1515 da rua Vergueiro, ficou pronta a Catedral Metropolitana Ortodoxa. Ela começou a ser erguida no começo da década de 40.

 

9.Metrô

A estação Paraíso do metrô, com integração para as linhas azul (1) e verde (2) foi inaugurada em 1975.

10.A Sears e o shopping

Na ativa desde 1989, o Shopping Pátio Paulista ocupa o mesmo endereço da emblemática Sears, que foi inaugurada em 1949 e revolucionou o mercado de lojas de departamento. Até fechar, em meados dos anos 1980, ela era uma referência na cidade.

11.Cultura

O Centro Cultural São Paulo funciona entre a Vinte e Três de Maio e a Vergueiro desde 1982. Em 1989 foi a vez no Itaú Cultural ser aberto ao público, no número 149 da Paulista. Dois anos depois, a Casa das Rosas passou a ocupar uma mansão dos anos 1930, no número 37 da mesma avenida.

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