Patrícia Cruz/AE
Patrícia Cruz/AE

Da pole dance à luta livre, 2,5 km de animação

Enquanto dançarinas usavam postes de rua, fãs curtiam El Terrible no Anhangabaú

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2011 | 00h00

Acostumados a espetaculares encenações de socos e golpes, as equipes de luta livre que se apresentaram durante a Virada Cultural receberam no sábado a visita das garotas da pole dance, a dança do poste. Elas saíram da Praça Darcy Penteado, na frente da boate Love Story, e rumaram ao enorme ringue instalado no Vale do Anhangabaú.

Ainda dentro do cercadinho montado na praça, a chefe das moças, Renata Wilke, de 30 anos, anunciou sua intenção de percorrer os 2,5 quilômetros de distância subindo pelos postes da rua. "Ae, lourãão! Uhuu! Segura no posteee!", grita um rapaz descamisado, pançudo e suado, com dois amigos.

A dança do poste tornou-se popular no Brasil por causa da novela Duas Caras, de 2007, na qual a atriz Flávia Alessandra interpretava a stripper Alzira. A luta livre foi muito popular nos anos 1960, quando a TV Excelsior passou a exibir o Telecatch. O astro da época, nacionalmente famoso, era Ted Boy Marino.

"Sou exibicionista", disse Renata, enquanto ajeitava o microshort jeans, enrolava o megahair no alto da cabeça e se abanava.

O que ela não sabia ainda é que os lutadores do Anhangabaú a aguardavam para uma disputa de gente grande: o vilão El Terrible, por exemplo, usava roupa de lycra, cabelão abaixo dos ombros e, pela maneira como se jogava no ringue, não media esforços para chamar a atenção.

A plateia lá era incomparavelmente maior - mesmo considerando o público que Renata arrastou pelo caminho. "Que Anhangabaú nada, gata. Faz o show aqui", disse um PM na esquina das Avenidas Ipiranga e São Luiz. Uma multidão de marmanjos se acotovelava na briga - real - por uma brecha de show. E a "gata" seguiu em frente, sem dó dos postinhos de rua, que, em seu desequilíbrio, não pareciam preparados para aquela surra de chaves de coxa.

Chegou no auge da luta. O povo urrava, enquanto Fantasma esbofeteava Angel de Oro. "Massura!", bradava a desempregada Patrícia França, de 20 anos, usando uma expressão mexicana que quer dizer "lixo". Seu namorado, André Vitor, de 20, gritava junto.

"Não tem ambiente para fazer show aqui, gente", decidiu Renata, a "exibicionista", que foi ignorada. Pouco depois, bateu em retirada, dando a El Terrible e seus comparsas vitória por W.O..

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