Dá para viajar sem pagar mico?

Especialistas dizem que é possível minimizar riscos, organizando a viagem e levando em conta, sempre, tudo o que pode dar errado

Valéria França e Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2011 | 00h00

Verão é quase sinônimo de mico. E eles começam na hora de organizar a bagagem no carro - que nunca tem espaço suficiente para acomodar todas as malas, brinquedos e pertences da família. Na estrada, calor forte, criançada brigando no banco de trás e, se saiu no horário de pico, a certeza de pegar congestionamento. Isso é só o começo.

Mesmo com a previsão de chuva para este início de ano, entre 480 mil e 680 mil automóveis passaram pelo sistema Anchieta-Imigrantes no feriado de ano-novo. Durante todo o verão, mais de 14, 5 milhões de turistas estarão se deslocando pelo País, de acordo com o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). A boa notícia é que dá para evitar alguns problemas comuns nesta época.

"O primeiro passo é planejar com antecedência para evitar contratempos", diz Fabiana Pane, tenente do Comando de Policiamento Rodoviário. Isso quer dizer: informar-se sobre a estrada, averiguando, por exemplo, a quantia necessária para o pedágio, os postos de parada e os melhores horários para viajar sem congestionamento. Fazer uma revisão básica no automóvel também conta.

Apesar do conforto, os riscos de quem vai de avião são grandes. Overbooking, cancelamentos e atrasos de voos transformam a viagem do turista em uma peregrinação sem fim.

"Embarquei em São Paulo para Salvador de manhã, mas chovia tanto que o avião não aterrissou", lembra o paisagista Benedito Abbud, de 60 anos, sobre uma viagem recente. "O avião foi para Maceió." Ele esperou dentro da aeronave e mais tarde houve outra tentativa fracassada de pousar em Salvador. Às 20h, Abbud voltou para o Aeroporto de Guarulhos. "Passei o dia voando e voltei para São Paulo."

Dicas. Há sites que alertam sobre as roubadas típicas desta época. A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), por exemplo, relaciona em seu site (www.procon.sp.gov.br) um pacote de dicas. Clique em Orientações de Consumo, Informativos e Projeto Boa Viagem.

Especialista em situações de risco, Moacyr Duarte, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio, chegou a sugerir um kit de emergência que os pais deveriam levar para a praia. Além de material de primeiros-socorros, uma pulseira de identificação para as crianças.

"É muito comum os filhos se perderem dos pais. E quando isso acontece é um desespero. Vem à cabeça sequestro, afogamento", diz o dançarino carioca Carlinhos de Jesus. Por isso, é importante saber onde estão os postos de salvamento. "Meus filhos cresceram na areia de Copacabana e, mesmo assim, já se perderam na praia quando eram crianças e foram encontrados em um posto de salva-vidas."

E não é só criança que se perde. Se a praia estiver lotada, combinar com os amigos ou parentes um ponto de encontro também ajuda caso alguém do grupo se perca na multidão.

Abaixo, selecionamos sites, telefones e conselhos de especialistas, até mesmo da área de saúde, para o verão. Afinal, ninguém está livre de abusar do sol e ter insolação. Mas, como diz Márcio Rutowitsch, chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital do Servidor, no Rio, "insolação não manda recado". "No começo é uma dor de cabeça, um mal-estar. É preciso se hidratar muito."

Quem já não tomou sol demais? "Já fiquei vermelha como um camarão", conta a geneticista Mayana Zatz. "Mas o pior mico de verão foi sair da água, como uma louca. Gritava que estava queimando e ninguém entendia nada." O mar estava cheio de água-viva.

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