JF DIORIO /ESTADÃO
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D. Paulo Evaristo Arns é velado na Catedral da Sé

Caixão chegou às 20 horas e foi acolhido com uma missa solene celebrada pelo cardeal Scherer; sepultamento será na sexta

José Maria Mayrink e Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

14 Dezembro 2016 | 16h16

Era segunda-feira. Dom Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo, foi à UTI do Hospital Santa Catarina para visitar mais uma vez o cardeal d. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito da cidade, ali internado. No quarto, d. Odilo decidiu dar ao enfermo a cruz peitoral, distintiva de sua dignidade eclesiástica. O paciente segurou fortemente o símbolo cristão até esta quarta-feira, 15, às 11h45. Assim morreu d. Paulo, uma das figuras religiosas mais importantes da história moderna do Brasil. 

Aos 95 anos, ele estava internado desde o dia 28 com broncopneumonia – e não resistiu à piora da função renal e à falência múltipla de órgãos. Um dia antes, havia celebrado 71 anos de sacerdócio na Sé – em cuja cripta será sepultado. O funeral ficou para sexta-feira, 16, às 15 horas.

Nesta quarta, o caixão entrou pela porta principal da Sé carregado por seis sacerdotes, entre eles o padre Júlio Lancelotti, vigário episcopal para os moradores de rua. Quando a urna foi aberta, padre Júlio beijou a testa de d. Paulo. O velório, que será ininterrupto até o funeral, teve início às 20 horas, com a missa celebrada pelo cardeal Scherer – que “voltou à cruz” na homilia. 

O arcebispo relembrou que d. Paulo nasceu em 14 de setembro, Dia da Exaltação da Cruz, e morreu em 14 de dezembro, festa de São João da Cruz. “A cruz, então, marcou sua carreira, quando ajudou as pessoas a suportar o seu peso, sobretudo na área de direitos humanos e na justiça social”, disse. Entre os presentes estavam autoridades que colaboraram com a atuação de d. Paulo ao longo de sua vida, como o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, o jurista Antônio Carlos Malheiros e o ex-ministro José Gregori.

Ao final da missa de d. Odilo, as pessoas que estavam presentes na catedral pediram para se aproximar do corpo de d. Paulo, mas, por causa da presença de autoridades, o acesso estava impedido. O padre Julio Lancellotti e Ricardo Carvalho, biógrafo de d. Paulo, no entanto, intermediaram a situação e permitiram, por fim, que os fiéis se acercassem da urna. 

Na sequência, uma nova celebração eucarística foi presidida pelo cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo – sucessor de Arns no cargo – e prefeito emérito da Congregação do Clero. “Dom Paulo não teve medo de enfrentar a ditadura. Ninguém o dobrou”, disse.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), compareceu à cerimônia. Em nota, disse: “Dom Paulo ajudou a mudar a história do Brasil”. Ele decretou luto oficial de três dias. O cardeal Arns comandou a Arquidiocese de São Paulo entre 1970 e 1998 – quando renunciou pelo limite de idade.

Seu velório deve prosseguir até sexta-feira, com missas a cada duas horas. Bispos e sacerdotes que quiserem poderão celebrar – para tanto, a arquidiocese orienta que estejam munidos de túnica e estola roxa; no caso de bispos, solidéu e mitra branca. O velório será ininterrupto, incluindo a madrugada – um esquema de segurança foi montado para garantir que tudo transcorra sem problemas. 

A Arquidiocese de São Paulo divulgou comunicado solicitando que todos os sacerdotes da circunscrição celebrem missas em intenção a Arns por sete dias. “A Missa de ‘sétimo dia’ por d. Paulo, em cada paróquia, será no dia 21 de dezembro. Na Sé, ocorrerá às 17 horas.

Autoridades. O cerimonial da Arquidiocese recebeu telefonemas de assessores de diversos políticos que pretendem comparecer ao velório. Devem passar pela Sé o presidente Michel Temer (PMDB), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o ex-presidente Lula (PT), além dos ministros das Relações Exteriores, José Serra (PSDB), e de Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD). Em nota, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso relatou ter perdido “um amigo”.

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