Curto-circuito teria causado fogo em favela na zona sul de SP

De acordo com líder comunitário, 110 famílias estão desabrigadas desde o incêndio no sábado

estadao.com.br,

20 de dezembro de 2009 | 15h24

Um curto-circuito teria sido a causa do incêndio que atingiu cerca de 90 barracos da Favela Beira-Rio, no Parque Jabaquara, na zona sul de São Paulo, no sábado. As informações são do líder comunitário da favela, Natalino da Silva Braúna.

 

"Viram o momento exato em que o fogo começou. Perto de um dos barracos um fio teria encostado no outro e começaram as faíscas. Como há muito papelão nas casas, o fogo se espelhou rapidamente", relatou Natalino. Ainda, segundo o líder comunitário, 110 famílias seguem desabrigadas e, conforme também informou na Defesa Civil, as pessoas foram para casas de parentes, amigos ou vizinhos.

Leia mais:

Incêndio atinge favela na zona sul

Participaram da operação 73 homens em 23 veículos. Como o foco do incêndio é de difícil acesso para os caminhões que levavam água, os bombeiros precisaram de um contingente maior e contaram também com a ajuda dos próprios moradores para conter as chamas. Segundo a corporação, só houve registro de uma pessoa ferida, um rapaz de 25 anos que acabou caindo de uma laje enquanto ajudava a apagar o fogo. Outros moradores passaram mal e, como a vítima da queda, foram levados ao pronto-socorro do Hospital Jabaquara.

 

"Não foi montado abrigo algum. Fizeram um cadastro das vítimas para efeito de distribuição de colchões, cobertores, leite e cestas básicas. Bastante coisa já chegou, mas estamos precisando de muito mais mantimento, além de fralda, roupas, sapatos etc", acrescentou Natalino. Segundo o Centro de Operações dos Bombeiros, o número total de barracos destruídos pelo incêndio chegou a 60, ou seja, 30 a menos que total informado pelas famílias.

 

Segundo ainda o líder comunitário, após o trabalho de rescaldo feito pelos bombeiros, nenhum perito havia aparecido até a tarde deste domingo no local. A reportagem do estadao.com.br entrou em contato com a Polícia Civil, mas, por se tratar de final de semana, nenhuma informação pôde ser fornecida pelos policiais de plantão da delegacia do Jabaquara (35ºDP).

 

A Favela Beira-Rio, que hoje tem mais de 600 barracos, existe desde 1972 e faz parte de um conjunto de 14 favelas do chamado Complexo Alba. As favelas Alba e Rocinha são as duas maiores do complexo.

 

Um incêndio destruiu entre 50 e 60 barracos da Favela Beira Rio, na região do Parque Jabaquara, na zona sul de São Paulo, na tarde de ontem. O fogo teve início por volta das 15 horas, segundo informações do Corpo de Bombeiros, e foi controlado cerca de duas horas depois da a chegada das equipes ao local do incêndio.

 

Participaram da operação 73 homens em 23 veículos. Como o foco do incêndio é de difícil acesso para os caminhões que levavam água, os bombeiros precisaram de um contingente maior e contaram também com a ajuda dos próprios moradores para conter as chamas. Segundo a corporação, só houve registro de uma pessoa ferida, um rapaz de 25 anos que acabou caindo de uma laje enquanto ajudava a apagar o fogo. Outros moradores passaram mal e, como a vítima da queda, foram levados ao pronto-socorro do Hospital Jabaquara.

 

De acordo com o major Marco Aurélio Alves Pinto, oficial responsável pela operação dos bombeiros, não há como identificar as causas do incêndio. "Como são residências fora do padrão, é muito difícil saber como o fogo começou. Pode ser desde um curto circuito até uma panela no fogão", explicou.

 

O major agradeceu a colaboração dos moradores, que indicaram o caminho mais fácil para os caminhões entrarem na favela e ajudaram a conter o fogo. "Mas as pessoas precisam ficar um pouco mais distantes, para não acontecerem acidentes como houve com o rapaz que caiu da laje", disse ele.

 

O motorista Antonio Vieira da Silva é um dos moradores da favela que ajudou os bombeiros a conter o fogo. "Estava em um velório aqui na comunidade mesmo quando soube do fogo. Resolvi ajudar e o incêndio nem era perto da minha casa", afirmou Vieira.

 

A empregada doméstica Vera Souza Santos contou que por pouco sua casa, feita de alvenaria, também não pegou fogo. "Queimou tudo dos meus vizinhos. Tirei de casa o que podia, mas o fogo foi controlado antes de acabar com tudo", descreveu. "Mesmo assim, é muito triste o que aconteceu com o pessoal que mora naquele lado." A Defesa Civil encaminhou as famílias desabrigadas para abrigos da Prefeitura.

 

Em pouco mais de um ano, a Favela Alba, vizinha da Beira-Rio, foi atingida por três incêndios. O último, ocorrido no último mês de junho, destruiu cinco barracos e deixou duas pessoas feridas. Em março, foram dez casas atingidas. O caso mais grave ocorreu em novembro de 2008, quando 800 pessoas ficaram desabrigadas.

Tudo o que sabemos sobre:
incêndio, favela, zona sul

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.