Curso ensina a cuidar antes de restaurar

Aulas grátis de preservação do patrimônio vão até novembro no Museu de Arte Sacra; estudantes aprendem a tomar conta de edifícios

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2012 | 03h03

Num projeto pioneiro em São Paulo, 40 alunos vêm sendo formados para ser zeladores do patrimônio histórico, artístico e cultural. Desde junho, eles frequentam as aulas gratuitamente. A iniciativa partiu do conservador e restaurador Antonio Sarasá, é financiada pela Obra Assistencial Dona Cecília Galvão Vicente Azevedo - que bancou os cerca de R$ 300 mil necessários - e é realizada em parceria com o Museu de Arte Sacra, que cede o espaço e a infraestrutura ao curso.

"Gastamos milhões de reais, todos os anos, com restauração aqui em São Paulo. E quase zero em conservação", diz Sarasá, coordenador do curso. "Por isso, acho importante formar pessoas qualificadas para trabalhar nos prédios, públicos ou privados, que tenham importância histórica." A ideia é que, tendo essa mão de obra no mercado, a manutenção dessas edificações seja feita com um cuidado maior e constante, evitando a necessidade de tantas restaurações periódicas.

As aulas ocorrem de segunda a sexta-feira, no período da tarde, em um prédio administrativo do museu, no bairro da Luz, região central da cidade. Os alunos - profissionais liberais e universitários - aprendem noções de História, Arqueologia, Arte, Eletricidade, Hidráulica, Carpintaria e Legislação, entre outros temas. Há professores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de outros especialistas convidados. São cerca de 20 docentes.

O curso termina em novembro. A expectativa dos organizadores é de que haja novas turmas. "Espero que continuemos", afirma Beatriz Vicente de Azevedo, diretora do Museu de Arte Sacra. "Sempre me dói o coração ver o abandono dos bens culturais. Esse curso muda a perspectiva: mostra que não adianta colocar a grade depois que veio o ladrão, pois ensina a prevenir os problemas."

Transformação. Sarasá quer fomentar também, em paralelo à formação desses novos profissionais, uma mudança de mentalidade dos administradores dos edifícios históricos. "Espero que eles comecem a ter em seus quadros funcionários com a função de zelar pela conservação", explica. "Trata-se de uma mudança de política cultural."

Os alunos vislumbram essa oportunidade. O universitário João Paulo Martinez, de 22 anos, pediu demissão do emprego em troca do curso. "Quero me inserir nesse mercado, trabalhar com conservação", afirma ele, que faz graduação em História da Arte. A arquiteta Magda Rosa, de 46 anos, também vê as aulas como uma oportunidade única. "Sempre gostei disso", diz.

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