André Lessa/Estadão
André Lessa/Estadão

Curiosidades sobre o Mandaqui

‘Fundador’ do bairro, Amador Bueno da Ribeira quase foi rei de São Paulo

O Estado de S. Paulo

14 Dezembro 2015 | 22h04

Em 1641, o bandeirante Amador Bueno da Ribeira seria aclamado rei do Brasil colonial. Ele então recusou o título, contrariando o povo e os espanhóis que o haviam designado. Em 1616, Ribeira tinha sido autorizado a erguer ao lado do Ribeirão Mandaqui um moinho de trigo. O bairro nasceu desse empreendimento. Veja outras curiosidades.

1. O não-rei de São Paulo

Descendente sobretudo de espanhóis, Amador Bueno da Ribeira, capitão-mor e ouvidor na capitania de São Vicente, tinha também sangue português e indígena. Em 1º de abril de 1941, quando Portugal e Espanha romperam, os castelhanos e boa parte do povo aclamaram Ribeira “rei”, na cidade de São Paulo. Ele, por sua vez, recusou a honra e mostrou lealdade ao português D. João IV, tendo de fugir e se esconder no mosteiro de São Bento, até que o povo fosse “convencido” de que não era da sua vontade governar.

2. O “pai” de milhares

Personagem notório da história do Brasil, Amador Bueno da Ribeira foi aclamado pelo povo em 1641, mas não quis ser rei do Brasil, firmando fidelidade a Portugal. Quando os estudiosos, historiadores e geneticistas tentam traçar sua descendência, surge uma lista impressionante de pessoas ligadas a ele de alguma forma, na genealogia, a exemplo de personalidades como Tancredo Neves e Carlos Drummond de Andrade.

Acredita-se que isso ocorra porque no passado as pessoas tinham muitos filhos. 

Em 1885, o Estado tratava do tema nessa “notícia importante”, em que escreve a biografia de Ribeira e indica que “as pessoas que se quizerem habilitar, ou saber a sua ascendencia, para requererem Brazão de nobreza e fidalgaia podem dirigir-se por carta franco de porte ao dr. Rocha Leão Junior, no Rio de Janeiro, rua do Conde d’Eu n. 135, que possue numerosos documentos, certidões autenticas e arvores genealogicas, trantado das habilitações com condiçoes vantajosas para os herdeiros”.

3. Corpo desaparecido

Quando morreu, por volta de 1646, Amador Bueno da Ribeira teria sido sepultado em uma das paredes do convento, na igreja do Largo de S. Francisco. Seu corpo teria desaparecido quando o convento foi demolido em 1938. 

4. Tramway da Cantareira 

Eternizada por Adoniran Barbosa na canção Trem das Onze, a ferrovia implantada para ajudar na construção de uma adutora no alto da serra da Cantareira. Sua história começou no final do século XIX. Em novembro de 1893, o Estadão publicava uma nota referente à inauguração. Na época, São Paulo passava por problemas de abastecimento de água. A estação do Mandaqui foi desativada junto com as demais na metade da década de 1960. Seu prédio, na esquina da Professor Valério Giuli com a Voluntários da Pátria (perto do McDonald’s), não existe mais.

5. Ramal dos Menezes

O tronco principal da estrada de ferro unia a região do rio Tamanduateí, no Pari, à Cantareira. Os ramais apareceram por influência da iniciativa privada. O dos Menezes, por exemplo, que ligava Mandaqui e Lausanne Paulista, foi criado para transporte de jazidas e produtos agrícolas cultivados na região.

6. Perigo na descida do Mandaqui

Em 10 de julho de 2015, o Estado noticiava em Queixas e Reclamações que os maquinistas do trem da Cantareira abusavam da velocidade na descida do Mandaqui, arriscando a vida dos passageiros. “Familias e cavalheiros que viajaram no domingo passado no tramway da Cantareira tiveram occasião de notar que os machinistas desenvolvem grande velocidade na descida do Mandaqui, onde a meio do respectivo percurso há uma curva perigosíssima (...).” 

7. Um fantasma no hospital

O Hospital do Mandaqui foi inaugurado em 1938. Os primeiros pavilhões começaram a funcionar no fim do ano. Se chamava Parque Hospitalar do Mandaqui e tinha capacidade para 800 tuberculosos internados. A região foi escolhida em virtude do isolamento e do bom clima. Na época, a internação era obrigatória para que a doença não se propagasse. Desde os anos de 1980 a instituição ampliou as atividades, tornando-se hospital geral e, mais recentemente, referência em traumatismo. Cravado em um parque arborizado, dizem que de sua primeira encarnação, como complexo especializado em doenças respiratórias, ainda existe o fantasma de uma freira que cuidava dos doentes nos anos 40.

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