Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Curiosidades sobre a Vila Formosa

Bairro abriga o maior cemitério do hemisfério sul

O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2015 | 18h39

O cemitério municipal da Vila Formosa é o maior do país e da América do Sul. Foi fundado em 1949, no lugar de uma antiga fazenda, e reformulado e ampliado em 1976. Ocupa uma área de parque, enorme, com mais de 760 mil metros quadrados. Não tem sepulturas aparentes, exceto por cruzes, placas com nomes dos mortos e pequenos e humildes oratórios. Registra uma média de 300 a 400 enterros por mês. Saiba mais sobre a necrópole e outros pontos importantes do bairro.

1. O maior cemitério do Brasil

Fica na Avenida Flor de Vila Formosa a maior necrópole do país e da América do Sul. O Cemitério da Vila Formosa é imponente no tamanho. Mais em 1,5 milhão de pessoas já foram enterradas nele. Há 87 mil sepulturas em 760 mil metros quadrados. O local é bastante humilde em suas instalações. Foram enterrados ali vítimas do incêndio do Edifício Joelma, de 1974, e do massacre do Carandiru, de 1992. 

O Vila Formosa também teria sido usado como depósito clandestino de corpos de prisioneiros dos anos de chumbo. No fim de 2011, a Polícia Federal encontrou no local 16 sacos plásticos com ossadas datadas dos anos 80 e 90. Em 2012, os técnicos escavaram túmulos da quadra 47, onde estaria a ossada de Jonas - guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN) preso pela Operação Bandeirantes em 29 de setembro de 1969.

2. A primeira avenida (quem foi Eduardo Cotching?)

A primeira avenida da Vila Formosa a receber asfaltamento foi a chamada Avenida Um (atual Doutor Eduardo Cotching). Ela existe desde 1954. Depois vieram a João XXIII (1963), a Vereador Abel Ferreira, a Montemagno e a Renata. 

Segundo o dicionário de ruas da prefeitura, o engenheiro Eduardo Cotching era “incentivador do desenvolvimento agrário no Brasil”. Filho do oficial inglês William Mackel Cotching (Guilherme Cotching), enviado ao Brasil pela Rainha Vitória para estudar o território brasileiro, nasceu em Itu (1881). Era formado em engenharia agrônoma pelo Mackenzie, viveu na Europa, e no Brasil em 1917 ajudou a fundar a Vila Maria. Foi também “responsável pelo Plano de Defesa Permanente do Café em 1922, no momento em que o órgão, gerenciado pelo Governo Federal desde 1917 (quando o cultivo cafeeiro ainda era a maior pilar da economia nacional) foi repassado para ser administrado pelo Estado de São Paulo”. Cotching morreu na capital, em 1930.

3. A igreja

Fica no topo de uma colina a igreja Nossa Senhora do Sagrado Coração, padroeira do bairro. O atual prédio tem uma torre de 51 metros de altura, nave com 12 colunas e um carrilhão de 47 sinos de bronze. Ele começou a ser construído em 1946 e foi inaugurado quatro anos depois. A imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração, que mede dois metros e trinta centímetros, foi entalhada em madeira. Ela pertencia ao externato Nossa Senhora Auxiliadora, no Belém, tendo sido levada para a igreja em 1948. 

4. Sobre Tadashi Nishi e Sampaio Vidal 

Um dos bairros mais arborizados de São Paulo, a Vila Formosa tem uma centena de praças, a exemplo de Nossa Senhora das Vitórias, Sampaio Vidal e Tadashi Nishi, equipadas com jardins e brinquedos e instaladas ao longo da Avenida Doutor Eduardo Cotching. Saiba quem foram os donos desses nomes emprestados a importantes logradouros da vila: 

Sampaio Vidal (1870-1941): Rafael de Abreu Sampaio Vidal nasceu em Campinas, em 1870, e formou-se em 1891 pela Faculdade de Direito de São Paulo. Foi advogado e fazendeiro de café na cidade de São Carlos. No dicionário de ruas de São Paulo, é apontado como defensor da cafeicultura, que acreditava ser a maior riqueza nacional, do algodão, da seda, da produção nacional e da organização bancária. Como político, foi vereador e deputado estadual em São Paulo, além de ministro da justiça e da fazenda. Em 1912, fundou a Bolsa de Café em Santos e a Caixa de Liquidação. É autor de "Organização Comercial de Defesa do Café" e "Contabilidade Agrícola de Fazenda de Café". 

Tadashi Nishii (1920-1982): chegou do Japão no navio África Maru em 1933, para ser lavrador aos 13 anos de idade. Viveu em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, foi naturalizado brasileiro e mudou-se para a capital em 1961 (para a Vila Formosa), aonde virou comerciante e ativista cultural e social. Morou na cidade até sua morte, que ocorreu em 1982. Na biografia publicada no dicionário de ruas de São Paulo, no site da prefeitura, Nishii é descrito como um sujeito de “espírito altruístico”, que sempre se envolveu em causas humanas e batalhou pelos desfavorecidos. Em reconhecimento aos serviços prestados à coletividade, colecionou honrarias, a exemplo de várias medalhas, entre elas a do Descobridor do Brasil Pedro Álvares Cabral, da Enfermeira Ana Neri, de Ecologia e Homem Natureza e da Cruz do Mérito Cívico e Cultural. Recebeu também o título de Comendador pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística, e Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo.

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