Curiosidades da metrópole

Retratos da arte entre túmulos

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2010 | 00h00

Parecia resolução de Ano-Novo. "Era 1.º de janeiro deste ano quando comecei este projeto", conta o fotógrafo J. Andrade. Sua ideia era retratar as esculturas e imagens encontradas entre túmulos dos cemitérios tradicionais de São Paulo. Foram três sessões de cinco horas cada. Uma no Cemitério da Consolação, outra no Araçá, outra no São Paulo. "No total, fiz umas 4 mil imagens", calcula. Trinta e cinco delas (como a que aparece ao lado, à esquerda) podem ser conferidas na exposição Réquiem - Requiem Aeternam Doan Eis - Dai-lhes o Repouso Eterno até o dia 31, na Estação Clínicas do Metrô.

Técnico em edificações, Andrade foi dono de escritório de arquitetura por 12 anos. "Há quatro anos, quando completei 30 de idade, resolvi me dedicar à fotografia em tempo integral", diz ele. "Este foi o meu primeiro trabalho em preto e branco."

Com a exposição, ele não ganha nenhum centavo. E diz que, com essas fotos, não pretende faturar mesmo, nem que outras mostras surjam. "Não ia ficar legal ganhar dinheiro com algo que representa a dor das pessoas", diz.

OLHA SÓ...

Ramos de Azevedo. Tanto o monumental portão da entrada quanto a praça circular - onde fica a capela - do Cemitério da Consolação, o mais antigo de São Paulo, foram projetados pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928), mesmo autor do Teatro Municipal e do Mercadão.

Transferência. Em 2006, a escultura Musa Impassível, do modernista Victor Brecheret (1894-1955), foi retirada do Cemitério do Araçá, onde estava desde 1923, e levada, em definitivo, para a Pinacoteca do Estado. A operação exigiu até um guindaste - afinal, o colosso de mármore pesa quase 3 toneladas.P

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