Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

'Cumprir a lei desagradou quem tinha facilidades', diz ex-secretário de Doria

Em seu retorno à Câmara de SP, Gilberto Natalini (PV) disse ter ouvido do prefeito que ele precisava da Secretaria do Verde para fazer 'arranjo político-partidário'

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2017 | 16h41
Atualizado 23 Agosto 2017 | 21h02

SÃO PAULO - Em seu primeiro pronunciamento após ter sido demitido da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente pelo prefeito João Doria (PSDB), o vereador paulistano Gilberto Natalini (PV) disse nesta quarta-feira, 23, que as alterações feitas por ele para "exigir o cumprimento da lei" na emissão de licenças ambientais da cidade "acabou desagradando algumas pessoas que tinham certas facilidades" dentro da pasta.

Natalini foi demitido por Doria na última sexta-feira, 18, depois de ter relatado à Controladoria-Geral do Município (CGM) e à Justiça uma série de irregularidades envolvendo o licenciamento ambiental de obras na capital, como falta de pagamento de taxas, processos que furavam fila, modificação de projetos sem aval do órgão e pressão e ameaças a servidores para aprovar licenças irregulares.  

"Nessa arrumação, obviamente, começamos a exigir o cumprimento da lei. A lei ambiental é muito severa. Se ela for cumprida dá trabalho. Acho que nesse cumprimento da lei, esse trabalho acabou desagradando algumas pessoas que tinham certas facilidades", afirmou Natalini, que não revelou quem se beneficiava das práticas irregulares que existiam na secretaria, segundo ele, desde a gestão passada. 

Em maio deste ano, após apuração interna feita pela CGM, Natalini exonerou e transferiu 26 pessoas de cargos de chefia da Secretaria do Verde, e alterou procedimentos na pasta para padronizar os atendimentos as empresas. A medida desagradou o mercado imobiliário porque atrasou os processos. Entidades do setor, como o Sindicato da Habitação (Secovi), encaminhou, em julho, uma carta ao secretário municipal da Justiça, Anderson Pomini, solicitando providência para agilizar os processos.  

Apesar da crise envolvendo o licenciamento ambiental de obras na cidade, o vereador disse que a sua demissão ocorreu porque Doria havia pedido seu cargo para colocar um novo secretário indicado por outro partido. O Estado apurou que a Secretaria do Verde ficará com o PR, que tem quatro vereadores na Câmara, dois a mais do que o PV de Natalini.  

"A minha saída não foi nem por preguiça, não foi por incompetência nem foi por improbidade", disse Natalini. "O motivo da minha demissão não posso dizer. Segundo foi me dito foi arranjo político-partidário. Isso é normal na política, do ponto de vista da política mais tradicional", completou o ex-secretário. Ele afirmou ainda que Doria "nunca colocou dificuldade" nas alterações que ele estava fazendo dentro da pasta.

Em protesto contra a demissão de Natalini, cinco dos sete membros do conselho gestor da Secretaria do Verde decidiram deixar o órgão na última segunda-feira, 21. São eles: Arlindo Phillippi Júnior, Carlos Rittl, Consuelo Yoshida, Eduardo Jorge e Roberto Klabin. "Só tenham a agradecer esse ato que fizeram, um ato extremo é verdade, de deixar o conselho", disse Natalini. A gestão Doria não se manifestou sobre as renúncias dos conselheiros.

Câmara. Natalini reassumiu seu mandato de vereador nesta quarta-feira, na vaga do suplente Abou Anni (PV). Esperava-se que o ex-secretário fizesse um pronunciamento no plenário da Câmara, mas a sessão não foi aberta por falta de quórum, embora tivesse na Casa um número suficiente de vereadores para iniciar a sessão.

Natalini se junta a outros três vereadores que iniciaram o ano como secretários de Doria e foram demitidos ao longo desses oito meses. São eles: Soninha Francine (PPS), ex-secretária de Assistência Social, Patrícia Bezerra (PSDB), ex-Direitos Humanos, e Eliseu Gabriel (PSB), ex-Trabalho. "Para mim muda o local mas a ideologia, a vontade ,a fé nas questões ambientais continuam iguais", disse. Natalini

O interino da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Fernando Von Zuben, disse ao Estado que a demissão de Natalini foi por motivo político de rearranjo da base. 

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