Helvio Romero/AE
Helvio Romero/AE

Cumbica: novo estacionamento fica às moscas

Com sinalização precária, bolsão que deveria aliviar transtorno de passageiros só consegue preencher, em média, 45 das 316 vagas

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h03

Mesmo custando metade do preço da garagem principal, o novo bolsão de estacionamento do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, inaugurado há um mês, está subutilizado. Só 14% das 316 vagas disponíveis são ocupadas todos os dias. A culpa é da sinalização precária e da necessidade de usar van no novo bolsão, que fica a 700 metros dos terminais 1 e 2.

Enquanto isso, o estacionamento principal, abarrotado, tem 2,9 mil vagas e recebe uma média de 10 mil veículos por dia. Sem ter onde parar, os motoristas estacionam até em cima dos canteiros.

A estimativa de que apenas 45 carros por dia estacionem no novo pátio é da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Em três horários e dois dias diferentes - 9, 12 e 15 horas, de terça e de quarta-feira -, a reportagem do Estado viu, em média, 30 carros estacionados por vez no bolsão.

Isso porque uma diária no estacionamento operado pela empresa gaúcha Sinarodo custa R$ 25, antes os R$ 50,50 cobrados no pátio principal, resultado de um aumento recente de 61%, porque a tarifa de R$ 31,50 estava "defasada". A Infraero informou que a diária do novo bolsão é mais barata para incentivar a longa permanência.

A estatal não comentou os problemas na sinalização para o novo bolsão. Os usuários, sim. "Para falar a verdade, só parei aqui porque o outro estava lotado e um funcionário me deu a dica de vir para cá. Nem sabia que existia, não vi placa nenhuma", contou o administrador de empresas Mário de Oliveira, de 41 anos.

As placas existem - pequenas e improvisadas, apontando para o estacionamento "Sinarodo/Rodopark", ao lado oposto da garagem principal. Mas, lendo o nome da empresa na placa, alguns passageiros pensam tratar-se de mais um dos inúmeros estacionamentos nas cercanias do aeroporto, a maioria a três ou quatro quilômetros de Cumbica.

"Achei que fosse um desses edifícios-garagem da redondeza, que não gosto muito de parar porque ficam longe, mas, às vezes, é o jeito. Eu me surpreendi. Apesar de ter de pegar van, é perto e até mais barato", disse a aposentada Marli Miranda, de 68 anos. "Eles tinham de divulgar mais." As vans partem a cada dez minutos e são gratuitas.

Mais vagas. Os estacionamentos do entorno aproveitam para ganhar. Ao longo da Rodovia Hélio Smidt, eles colocam placas imensas e coloridas apontando para vagas "cobertas e com seguro". Um deles, o Unipare, na Rua Jamil João Zarif, lançou até o conceito de "estacionamento popular": a diária custa R$ 10.

A promessa da estatal é criar mais vagas - das atuais 2.948, o aeroporto passará a ter 4.416 ainda em 2012. Parte delas, em dois bolsões com mais de 700 vagas, é esperada para a "segunda quinzena de fevereiro", de acordo com a Infraero. Essas novas garagens vão ficar na frente do futuro Terminal 4 (remoto), o famoso "puxadão", com capacidade para 5,5 milhões de passageiros por ano e já com atraso na inauguração em mais de dois meses.

Prometido para 20 de dezembro, o teto do Terminal 4 desabou duas semanas antes, deixando dois funcionários feridos. A obra, feita pela construtora Delta, custou R$ 86 milhões.

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