Cumbica: 1 vaga para 21 passageiros

Infraero anuncia reajuste de até 60% em janeiro para quem estacionar no aeroporto, mas falta de espaço é reclamação constante de usuários

FABIANO NUNES , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2011 | 03h02

Quem utilizar estacionamentos dos aeroportos de São Paulo neste fim de ano precisará de boa dose de paciência. Os 80 mil passageiros que circulam por dia no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, têm 3.780 vagas para estacionar. Já as 46 mil pessoas que embarcam e desembarcam em Congonhas, na zona sul da capital, precisam lutar por uma das 3.369 vagas.

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) informou que, até o fim de janeiro, Cumbica terá mais 1.468 vagas - e tarifas até 60% mais caras. Já para Congonhas não há plano de expansão. Segundo especialistas, para atender a demanda atual seria preciso oferecer mais 4.500 vagas em Cumbica e mil em Congonhas. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, só em dezembro o movimento dos aeroportos será 14% maior do que no mesmo mês de 2010.

Em Guarulhos, é comum encontrar carros em cima de canteiros e nos corredores de acesso do estacionamento.

O motorista Juan Guilera, de 36 anos, que vai ao terminal pelo menos duas vezes por dia buscar passageiros, disse que costuma esperar 30 minutos para encontrar uma vaga. "Sem contar que muitas vezes fica difícil circular no estacionamento porque os motoristas param os carros nos corredores e em cima das ilhas", comentou. Nos fins de semana, forma-se uma fila de carros ao lado da Rodovia Hélio Smidt, próximo ao estacionamento, à espera dos passageiros que vão desembarcar.

A falta de vagas não é a única reclamação. A comunicação visual, como as placas que indicam a localização dos corredores, estão apagadas. "Seria bom também que o estacionamento fosse coberto. Em dias de chuva, é complicado circular por aqui", reclamou o economista Carlos Rondon, de 47 anos.

Fechado. Em Congonhas, o comum é encontrar as portas fechadas quando o estacionamento fica lotado. "Semana passada vim trazer minha filha para embarcar e não consegui entrar. O serviço que eles oferecem é ótimo, mas o número de vagas não atende a demanda", disse a professora Danielle Couto, de 40 anos. Segundo ela, a opção é usar os estacionamentos nas imediações da Avenida Washington Luís. "Mas fica difícil atravessar a passarela com as bagagens." O preço também foi criticado. "Cobrar R$ 63 pela diária é um abuso. Eles deveriam ter uma infraestrutura exemplar para cobrar isso", disse o analista de sistemas Cláudio Becker, de 35 anos. Os estacionamentos que ficam na Washington Luís cobram em média R$ 30 pela diária.

Para o arquiteto e urbanista Flamínio Fichmann, o déficit em Cumbica só será solucionado com a criação de 4.500 vagas. "A Infraero precisa pensar que a solução está atrelada à infraestrutura aeroportuária atual, mais a expansão do Terminal 3, que deve acontecer nos próximos anos. O que estão fazendo atualmente são alguns puxadinhos e isso não resolve todo o problema. Quem sai ganhando são os estacionamentos externos."

Levantamento feito pelo arquiteto aponta que estacionamento particulares nas imediações da Rodovia Hélio Smidt, em Guarulhos, oferecem cerca de 6 mil vagas. Em quatro anos, surgiram seis empreendimentos. A partir de janeiro, a diária em Cumbica custará entre R$ 25 nos novos bolsões e R$ 50,50 no aeroporto. Já os estacionamentos no entorno da Hélio Smidt cobram em média R$ 22 pela diária. Ou seja, quem deixar o carro durante um mês no aeroporto gastará até R$ 750. Nos particulares, esse valor cai para R$ 280, já que esses estabelecimentos dão desconto para longos períodos. "A partir do décimo dia, os estacionamentos nas imediações congelam o valor."

Para Fichmann, em Cumbica o ideal seria construir um edifício-garagem, compatível com a arquitetura do terminal.

O engenheiro Sérgio Ejzenberg, mestre em engenharia de transportes pela USP, lembrou que nenhum dos aeroportos tem opção de metrô. "Isso complica ainda mais a oferta de vagas. Todos os grandes aeroportos do mundo tem acesso via metrô. Em São Paulo, é só uma promessa."

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