Cultura do centro à periferia

Paulistanos cansaram de ver atrações concentradas apenas nas regiões nobres da cidade e pedem opções também nas áreas carentes

O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h11

"O ideal seria se ninguém precisasse se deslocar muito para encontrar boas opções de recreação, cultura e arte." A sugestão é do economista e atuário Luiz Augusto Ferreira Carneiro, professor da Universidade de São Paulo. Mas reflete uma preocupação de muitos paulistanos: na pesquisa Que SP Vc Quer?, alguns apontaram, por exemplo, que o grande defeito da Virada Cultural - maratona que ocorre uma vez por ano desde 2005 - é justamente ter a maior parte das atrações na região central.

Localizados sobretudo na periferia, os 45 Centros Educacionais Unificados (CEUs) procuram suprir a demanda - mas, pelo que a pesquisa indica, não cumprem o papel suficientemente. Com funcionamento semelhante, as seis unidades das Fábricas de Cultura, projeto do governo do Estado, também se esforçam para levar cultura à periferia. Mas boa parte da mobilização cultural em regiões mais distantes do centro ainda ocorre graças a ativistas voluntários e iniciativas não governamentais.

Estrutura. Hoje, o Município tem cinco centros culturais - localizados no centro, no Paraíso, em Cidade Tiradentes, na Vila Nova Cachoeirinha e na Penha - e 106 bibliotecas públicas. Além das 55 que funcionam apenas como biblioteca, há os acervos dos centros culturais e dos CEUs. Entre os projetos que se preocupam em servir à periferia, um dos mais criativos é o ônibus-biblioteca. São 12 veículos cheios de livros que atendem 72 pontos da cidade, em geral em bairros mais distantes do centro.

A preocupação em levar mais cultura à periferia aparece como prioritária no plano de governo divulgado por Fernando Haddad (PT) durante a campanha eleitoral. O texto fala em "instalação, recuperação e remodelação de equipamentos culturais, implementando uma política de descentralização que não prescinda da tarefa de conferir visibilidade às produções até agora marginalizadas".

Haddad também prometeu criar mais dois centros culturais, um na zona leste e outro na zona sul, equipados com biblioteca, cinema, teatro multiuso, salas de exposição, livraria e espaço para oficinas de artesanato.

Ainda com o objetivo de descentralizar a cultura, o plano é que todas as 31 subprefeituras tenham núcleos culturais. O documento ainda ressalta a necessidade de "assegurar a existência de equipamentos culturais em todos os 96 distritos do Município".

Lazer e patrimônio. A pesquisa Que SP Vc Quer? também mostrou que o paulistano se preocupa com a falta de opções de lazer e entretenimento proporcionadas pelo poder público. Houve quem sugerisse, por exemplo, sessões de cinema grátis em espaços públicos da periferia.

A preservação do patrimônio histórico foi outro tema muito lembrado por participantes da pesquisa. "O patrimônio público precisa ser mais bem cuidado, com políticas públicas que incentivem seu uso - muitos estão abandonados - e uma melhor divulgação à população de sua história", disse uma moradora da Vila Mariana que se identificou apenas como Roseli.

Uma vida com hábitos mais saudáveis também parece ser o desejo de muitos. Foram vários os pedidos para que parques e praças municipais tenham incentivos à prática de exercícios físicos, com apoio de especialistas. "Sugiro o aproveitamento de espaços públicos para implantar academias ao ar livre, com acompanhamento de professores de Educação Física", disse Luiz Carlos de Araújo, morador do Limão, na zona norte.

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