Cultura Artística será reerguido no mesmo lugar

Teatro entra em contato com arquiteto que pretende mesclar planta original com projeto de modernização

Renato Machado, de O Estado de S.Paulo,

20 de agosto de 2008 | 01h35

A diretoria da Sociedade de Cultura Artística decidiu na terça-feira, 19, que vai reconstruir o Teatro Cultura Artística, que ficou praticamente destruído após um incêndio na madrugada de domingo. Além disso, a entidade resolveu se manter no mesmo lugar, na Rua Nestor Pestana, no centro de São Paulo, e seguir o projeto original do arquiteto Rino Levi, mas com modernizações.   Veja também:  Em imagens, a história do Cultura Artística Os estragos no Teatro Cultura Artística  A cobertura completa sobre o incêndio   O superintendente da entidade, Gérald Perret, fez na terça-feira um primeiro contato com Paulo Bruna, arquiteto considerado "herdeiro" de Levi. Os dois marcaram uma reunião para a próxima semana, para discutir o assunto e começar a esboçar um projeto. "Estamos muito ocupados providenciando a realização dos espetáculos agendados em outras casas. Mas temos certeza de que vamos reconstruir e já vamos começar a planejar na próxima semana", diz Perret.   Bruna foi o escolhido pela Sociedade de Cultura Artística porque trabalhou com Levi e foi diretor do seu escritório por aproximadamente duas décadas. Além disso, ele detém uma cópia de todo o projeto original do teatro e elaborou um plano de modernização há aproximadamente três anos, em parceria com a entidade. Esse trabalho servirá como base para a reconstrução.   Segundo Bruna, ainda é cedo para prever um cronograma para o projeto e também para estimar quanto ele custará. O arquiteto só adianta que um novo teatro não sairá antes de 20 meses. "Tudo vai depender do ritmo de arrecadação de fundos. Mas precisamos pelos menos de uns seis meses para elaborar o projeto e, então, começar as obras", diz.   A Sociedade de Cultura Artística pretende, a princípio, começar a erguer um novo prédio com os recursos da apólice de seguro do incêndio. Os diretores já sabem o valor que será pago, mas foram aconselhados pelos advogados a não divulgá-lo. Estima-se que seja de R$ 5 milhões. No entanto, essa quantia não será suficiente e a entidade espera levantar o restante com parcerias, concertos em outras casas e ajuda do poder público.   Os especialistas em urbanismo comemoraram a decisão de reconstruir o teatro. O arquiteto Issao Minami, especializado em identidade visual urbana, defende a reconstrução exatamente como era antes do incêndio. "A perda de um referencial é irreversível. Em uma cidade com o visual estraçalhado ao longo do tempo, o Cultura Artística tinha seu próprio significado. Pela sua importância histórica e arquitetônica, deve manter ao máximo valores originais."   Fogo   Um novo foco de incêndio teve início na tarde de terça-feira no Teatro Cultura Artística. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 15h32 e duas horas depois as chamas haviam sido debeladas. Três viaturas foram ao local. Em alguns pontos do teatro, destruído no domingo, a temperatura ainda estava ontem em torno de 60°C. De acordo com os bombeiros, a volta do fogo é chamada de reignição do incêndio. As chamas têm início a partir de uma pequena fagulha ou faísca provocada pelo acúmulo de material queimado quente. O calor se expande até reiniciar o fogo.   Colaboraram Eduardo Reina e Vitor Hugo Brandalise

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