Cuiabá, o vale da destruição

Fernando Gabeira, EX-DEPUTADO FEDERAL E REPÓRTER ESPECIAL MULTIMÍDIA DO ESTADO

, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2011 | 00h00

"Terceiro cenário da tragédia serrana, o Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis foi devastado pela chuva e cheias do Paquequer, um rio que vem de Teresópolis.

Diferentemente das ruínas em Campo Grande, Teresópolis, aqui não há pedras sugerindo avalanche. Apenas ruínas ensopadas e lama. O acesso está proibido, exceto para moradores e caminhões da prefeitura.

O trabalho de remoção do entulho está sendo realizado pelos próprios moradores. Mas há também funcionários da empreiteira Delta, deslocados de Caxias, na Baixada Fluminense.

No momento, o esforço é para retirar a lama. Alguns moradores tentam lavar objetos pessoais e, em algumas casas, há mutirões de vizinhos.

A primeira parada foi numa das mais famosas pousadas da área, Tambo Los Incas. Era de muito bom gosto, tinha banheiros japoneses nos quartos e uma piscina e um bom restaurante. Está coberta de entulho.

Os desalojados estão parcialmente concentrados na Igreja Metodista, onde não só líderes comunitários como o pastor Fabrício fizeram um apelo: a comida e roupa são suficientes, mas é preciso responder logo às famílias alojadas na igreja. De um modo geral, o governo faz um cadastro, que leva tempo, e distribuiu R$ 400 para aluguel social, durante um ano. Acontece que não há casas para isso na área. Há mansões, pousadas como a Tambo Los Incas, que foram para o espaço e, possivelmente, alguma coisa pode ser reconstruída ou limpa para que os moradores voltem.

O movimento de voluntários é intenso. Cruzei com um grupo que veio de Minas para ajudar e pretende passar 15 dias. O Vale de Cuiabá faz lembrar o distrito de Correia, em Teresópolis: uma sequência de casas destruídas, carros retorcidos, móveis jogados na rua.

Durante a visita, a rádio anunciava desabamentos no bairro da Posse, com três mortos. Apesar de o foco estar em outro ponto, havia muitos policiais e muitos voluntários. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito, afirmou que era preciso coordenar os esforços e criar um protocolo para as missões de salvamento. Fizeram ontem. Antes tarde do que nunca.

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