Cruzeiros universitários têm 'excesso de tudo'

Algumas empresas que organizavam viagens para o público deixaram de fazer pelo grande número de problemas

Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de S. Paulo,

23 Dezembro 2008 | 09h29

A combinação do consumo de bebidas alcoólicas com um "clima de festa em ambiente confinado" é motivo para companhias marítimas e agências de viagens classificarem cruzeiros curtos para público universitário como "segmento complicado" dentro do turismo náutico. "A tendência de abusos nesse tipo de evento, realizado em ambiente fechado e com clima de festa que parecem não ter fim deixa tensa a situação a bordo", afirma Cláudio Brasil do Amaral, diretor da Associação Brasileira de Terminais de Cruzeiros Marítimos. "É excesso de tudo. Ver jovens em coma alcoólico não é fato tão incomum em viagens assim."   Veja também: Para PF, estudante morreu asfixiada sozinha na cabine do navio    Agências de viagem e companhias marítimas consultadas pelo Estado citam o excesso de álcool como principal característica dos cruzeiros universitários. "Fica difícil até para os seguranças. É comum navios com cabines quebradas, sofás e carpetes danificados por pontas de cigarros", afirma Régis Paiva, diretor da agência Central de Cruzeiros.   Há empresas que promoviam cruzeiros universitários e deixaram de trabalhar com o segmento por causa do aumento no número de atendimentos médicos por excesso de álcool e por causa de danos freqüentes aos equipamentos dos navios. "O consumo de bebidas é excessivo e os jovens ficam acordados por muitas horas. Até a tripulação é afetada, com alto grau de preocupação", afirma a gerente de Marketing da Costa Cruzeiros, Cláudia del Valle, que promoveu cruzeiros universitários até 2003.   O diretor comercial da MSC Cruzeiros – proprietária do navio MSC Ópera, fretado pela Forma Eventos para a realização da festa em que a jovem Isabella Baracat Negrato, de 20 anos, morreu, na sexta-feira –, Adrian Ursilli, porém, defende os cruzeiros universitários e classifica como "discriminatórias" as críticas ao segmento. "Esse tipo de evento é perfeitamente viável em navios e geralmente são realizados sem problemas. Infelizmente, isso aconteceu num cruzeiro, mas poderia ter acontecido no carnaval, ou em qualquer festa", disse. Por meio de nota, a Forma Eventos informou que continuará promovendo cruzeiros universitários, realizados desde 2003.   Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os primeiros procedimentos de segurança realizados a bordo são orientação correta para utilização de barcos e coletes salva-vidas e os locais onde podem ser encontrados os médicos. Também há a "recomendação expressa" de "moderação" nas bebidas alcoólicas.   Segundo a MSC, havia dois médicos e duas enfermeiras a bordo do MSC Ópera, que deixou o Porto de Santos na sexta-feira. Por causa da morte de Isabella, por causas ainda não esclarecidas, equipe de Vigilância e Busca Aduaneira do Porto de Santos informou ontem que novas medidas de segurança serão adotadas nos navios de cruzeiros turísticos. As novas regras, porém, serão definidas somente após a temporada.

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