Cruzamento na Rebouças ganha 'bolsão' de motos e bikes

Quadrado pintado no asfalto onde avenida cruza a Estados Unidos indica reserva para veículos com duas rodas

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2013 | 02h05

O conceito de "bike box" chegou ontem à zona sul da capital, em caráter experimental, no cruzamento da Avenida Rebouças com a Rua Estados Unidos, nos Jardins. Existente em outras cidades do mundo, a caixa é um quadrado pintado no asfalto que serve para sinalizar a separação entre bicicletas e motos dos demais veículos, dando preferência às duas rodas na hora em que o semáforo abre.

A diferença da caixa paulistana é que aqui ela também permite a presença de motocicletas. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a ideia é trazer mais segurança para ciclistas e motociclistas - 438 motoqueiros morreram na capital apenas no ano passado.

A medida é apontada como pouco eficiente na prevenção de acidentes de motos, segundo o professor de Engenharia de Tráfego da Fundação Educacional Inaciana (FEI) Creso de Franco Peixoto. "A motocicleta tende a acelerar com mais facilidade. No interior, o motociclista passa o cruzamento sem parar; (com o quadrado,) ele pode ser induzido a desrespeitar o farol", afirma Peixoto.

Entretanto, no caso das bicicletas, a caixa da CET ajuda a dar ao motorista do carro a sensação de que a bicicleta pode usar a via - uma das grandes queixas dos ciclistas é justamente a falta de respeito.

"Se você está dividindo o espaço com o carro, pode haver contato na hora da saída. Então, (o quadrado) traz mais segurança, sim", diz o cicloativista William Cruz, do site Vá de Bike. Essa falta de respeito, ainda segundo ele, não ocorre por parte dos motoqueiros. "Eles tratam as bicicletas como uma espécie de 'irmão menor' no trânsito."

A primeira faixa para bicicletas e motos da capital foi pintada na semana passada no Viaduto do Chá, no centro, na frente do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura.

Cruz critica, no entanto, a escolha da via: a Avenida Rebouças não é usada por ciclistas, que preferem a Rua dos Pinheiros por causa do menor fluxo de automóveis.

A CET diz que o local foi escolhido obedecendo a critérios técnicos. Na Avenida Rebouças, no sentido do centro, transita um volume médio de 3,7 mil motos no pico da manhã (das 7h às 10h).

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