Cronologia da Revolução Constitucionalista de 1932

1932

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

09 Julho 2016 | 01h30

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25 de janeiro - Aniversário da cidade de São Paulo

Comício na Praça da Sé, com cerca de 200 mil pessoas, debaixo de chuva. Constitucionalistas discursam a favor da democratização e da devolução do poder político estadual aos paulistas. Ato termina com uma passeata em direção à sede do jornal O Estado de S. Paulo, então na Rua Boa Vista. Da sacada, Julio de Mesquita Filho faz um pronunciamento. “...O império da lei e da justiça só poderá ser restabelecido no dia em que, tomado o fio de nossa evolução, São Paulo voltar ao seu lugar de líder insubstituível da Nação”, afirmou.

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23 de maio - MMDC

Os jovens Euclides Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio de Camargo Andrade, constitucionalistas, morrem em tiroteio em manifestação diante da sede do Partido Popular Paulista, na esquina da Rua Barão de Itapetininga. Outros manifestantes ficam feridos. No dia seguinte, membros da Frente Única, de oposição ao governo federal, formaram a sociedade secreta MMDC, iniciais dos nomes dos quatro mortos. O apoio popular à causa constitucionalista cresce a partir desse episódio.

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9 de julho - Início da Revolução

Reunião de líderes constitucionalistas decide, no dia 7 de julho, que a Revolução se iniciaria no dia 14, com a possibilidade de a data ser antecipada. Nova reunião, da qual participou o coronel Euclydes Figueiredo, resolveu marcar para a madrugada do dia 10 o início do confronto. Figueiredo foi nomeado comandante da revolta em São Paulo e executou imediatamente um detalhado plano de ocupação da cidade. “Às 21 horas, já me sentia dono da situação... São Paulo inteiro estava em minhas mãos”, relatou mais tarde.

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14 de julho - Primeiras escaramuças

Ligeiro confronto entre a infantaria constitucionalista e cavalaria leal ao governo provisório de Getúlio Vargas em São José do Barreiro, no Vale do Paraíba. Dois dias depois, tropas comandadas pelo coronel Eurico Gaspar Dutra, mais tarde ministro da Guerra e presidente da República, atacaram os paulistas que guardavam o túnel ferroviário da Mantiqueira, divisa de São Paulo com Minas Gerais. Os constitucionalistas lutavam em quatro frentes de batalha: Norte, Sul, Litoral e Mato Grosso. No dia 17, tropas federais vindas do Rio Grande do Sul atacaram posições paulistas em Itararé, na divisa com o Paraná

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27 de julho - Ofensiva das forças federais

Sem a esperada adesão de contingentes militares de Minas e do Rio Grande do Sul, cujos governos acabaram apoiando Getúlio Vargas, os constitucionalistas perdem terreno no Vale do Paraíba. A chegada do trem blindado, uma das principais armas de São Paulo, não altera o quadro de pessimismo na região de Salto. No início de agosto, os paulistas recuam diante dos ataques inimigos. Faltam armas e munições. As tropas federais contavam com batalhões do Exército e da Polícia Militar de diversos Estados. Na frente Sul, os paulistas dispunham apenas de um canhão e de 54 balas para se defender de 32 canhões e farta munição das forças de Getúlio.

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2 de outubro - Derrota militar

O comandante da Força Pública, coronel Herculano de Carvalho, assina no dia 2 de outubro acordo em separado com o Governo Provisório, levando à rendição forçada do general Bertholdo Klinger, comandante geral dos constitucionalistas. Herculano assumiu provisoriamente a interventoria de São Paulo. Com a saída pacífica de Pedro de Toledo do palácio, quatro dias depois o governo estadual passou às mãos do general Valdomiro Lobo, comandante das tropas vindas do Sul. Os líderes civis discordaram da rendição, pois acreditavam que São Paulo ainda tinha condições de lutar.

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Fonte:  1932, o Brasil se Revolta, de José Alfredo Vidigal Pontes

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