Cristo é reinaugurado após 120 dias de reforma

Limpa e impermeabilizada, estátua está mais clara e sem marcas causadas pelo clima

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2010 | 00h00

 

 

 

Vista livre. Andaimes foram retirados, mas só táxis e vans turísticas podem subir o morro

 

Renovado, sem as marcas provocadas por raios, chuva e quase oito décadas de história, o Cristo Redentor foi reinaugurado ontem depois de passar por sua maior reforma, que levou 120 dias. Na quarta-feira de céu azul e sol forte, retirados os andaimes e as telas de proteção que a cobriam, a estátua praticamente brilhava no topo do Morro do Corcovado.

Uma limpeza cuidadosa deixou mais clara a superfície do monumento, formada por milhões de pastilhas de pedra-sabão. Rachaduras e pequenos pedaços que haviam sofrido desgastes nos dedos e na cabeça da estátua foram reconstruídos. O monumento inaugurado em 1931 foi impermeabilizado, drenado e teve sua estrutura de ferro interna recuperada.

"Com essa reforma completa, o Cristo ganhou uma homogeneidade, ficando mais claro e perdendo as marcas causadas pelo tempo e por obras parciais que foram feitas anteriormente", explicou a arquiteta Márcia Braga, responsável pelo trabalho de restauração. "Ele está "um broto" de 80 anos", brincou.

Restrição. Apesar de o monumento ter sido apresentado com festa, o caminho para o maior cartão-postal do Rio está comprometido há quase três meses por causa de deslizamentos de terra. Até o meio de julho, pelo menos, os visitantes só podem chegar ao topo do Corcovado com táxis e vans credenciadas.

No início de abril, a tempestade que devastou a região metropolitana do Rio provocou mais de 200 quedas de barreiras do Parque Nacional da Tijuca, onde fica o Morro do Corcovado. A estrada de ferro que dá acesso à estátua ficou bloqueada desde então e as rotas para automóveis só foram parcialmente desobstruídas - impedindo o acesso de veículos particulares.

"A estrada de ferro não está mais bloqueada, mas ainda estão sendo feitas obras de contenção para evitar novos deslizamentos", explicou Bernardo Issa, diretor do Parque Nacional da Tijuca. O reitor do santuário do Cristo Redentor, padre Omar Raposo, comemorou a restauração do monumento, que recebe uma média de 1,8 milhão de visitantes por ano, e cobrou a recuperação total dos acessos. "A Igreja saiu na frente e fez a parte dela com essa grande reforma. Falta agora acelerar o processo de reconstrução da estrada."

Vigilância. O diretor do Parque Nacional da Tijuca prometeu reforçar a segurança e aumentar o número de câmeras nos acessos ao monumento. Em abril, dois homens aproveitaram os andaimes da reforma e picharam o monumento. Dias depois, eles se entregaram à polícia.

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