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Crise hídrica é satirizada pelo Jegue Elétrico em São Paulo

Bloco traz crítica bem-humorada para as ruas da capital paulista

Edgar Maciel,Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2015 | 19h52

A maior crise hídrica da história de São Paulo virou tema e inspiração para o desfile do bloco Jegue Elétrico, em Pinheiros. As canções que embalaram as brincadeiras pelas ruas do desfile levam um pouco de alegria para um tema que está preocupando os paulistanos. 

"Aqui no Brasil a gente gosta de fazer brincadeira com o próprio sofrimento. A gente só resolveu fazer graça naquilo que não tem graça nenhuma", disse Emerson Boy, um dos compositores do bloco Jegue Elétrico. 

Neste sábado, 14, foi o segundo desfile do grupo com a marchinha Espreme Calcinha. A ideia dessa brincadeira surgiu em dezembro, juntando uma homenagem ao presidente do Uruguai, Jorge Mujica, e o volume morto do Cantareira. 

Logo no começo da letra, uma solução para quem não sabe o que fazer se a água acabar em São Paulo. Uai, bye bye/Vou pro Uruguai/Vou brincar com Mujica/Lá tem meu remédio/Vou sair do tédio. 

Nos versos seguintes, o cavaquinho se junta com os três trombones, dois saxofones e um trompete do Jegue Elétrico e entoam a rima do Cantareira. A letra diz: Não quero saber/ Se o volume tá morto/ Se a seca do Nordeste/Vem pras bandas do Sul. "A cada dia, está mais insuportável viver sem água por aqui. E aí surgiu a ideia de falar do volume morto, que é uma baita frase para se usar numa marchinha", contou o compositor. 

Satirizar temas atuais já é uma tradição do bloco. Em 2014, o Jegue Elétrico teve como tema os polêmicos "rolezinhos". Com influência maranhense, o bloco abusou da influência do maracatu e das musicas nordestinas no desfile. 

Símbolo da agremiação, o jegue, desfilou quase como um abre-alas de escola de samba. Logo atrás uma bateria nota 10, embalava os cerca de mil foliões. Com um balde vazio na cabeça e enrolado em uma toalha de banho, Carlos Mendes, de 25 anos, disse que veio ao bloco procurar uma companhia que tenha água em casa. "Quem sabe não encontro uma menina que não esteja com racionamento. Essa seria pra casar", brincou.

Policiamento. Além de manter o patrulhamento nas ruas que estão interditadas para a folia na Vila Madalena (nas imediações das ruas Aspicuelta e Fidalga), policiais militares em motos fazem a ronda nas imediações.

Segundo PMs, a ideia é monitorar casos de danos ao imóveis e uso de drogas. Uma das ruas mais cheias no fim da tarde deste sábado, 14, é a Harmonia. 

Os paulistanos foram às ruas fantasiados. "Trabalho aqui, é perto, é demais voltar aqui sem compromisso", disse Otávio Aguiar, de 32 anos, que é publicitário e curte o carnaval de chapéu de marinheiro. 

O bloco Nu Vuco Vuco deve sair às 21h30, com concentração marcada na rua Girassol, 347. 

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