Crise faz São Luiz do Paraitinga cancelar o carnaval

Prefeita alega falta de estrutura e verba; comércio banca parte de festival

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Por Gerson Monteiro
Atualização:
A favor. 'Quem é daqui está festejando, pois assim podemos ter um carnaval mais família', afirma Dolores Ramos Foto: GERSON MONTEIRO/ESTADÃO

SÃO LUIZ DO PARAITINGA (SP) - A crise econômica e a dívida municipal vão obrigar a prefeitura de São Luiz do Paraitinga a cancelar o carnaval de rua. Até o tradicional festival de marchinhas, realizado todos os anos em dois fins de semana, desta vez será em parceria com os comerciantes e acontecerá em duas datas.

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Para o desfile são necessários estruturas de som para os locais da festa, caminhão de som que circula no centro histórico, banheiros públicos e seguranças, entre outros custos diretos - além de ambulâncias, profissionais de saúde e equipamentos para atendimento. De acordo com a prefeita Ana Lúcia Bilard Sicherle (PSDB), “não há recurso nem orçamento”.

“O problema não é só financeiro, é administrativo”, diz ela, ressaltando que a folia de rua chega a reunir 150 mil pessoas em uma cidade de 10,7 mil habitantes. A Santa Casa está sem ambulância e o aparelho de raio X foi interditado pela Justiça do Trabalho. 

O município tentou viabilizar algum patrocínio para a festa, mas a crise tirou interesse do setor privado. “Acredito que os blocos não vão sair, está todo mundo entendendo a situação”, afirma Ana Lúcia. “A prefeitura não vai gastar nenhum recurso com o carnaval este ano”, ressaltou. 

Para amenizar os prejuízos de quem vive do turismo nessa época, que chega a movimentar R$ 15 milhões, os comerciantes estão se unindo para realizar o festival de marchinhas de forma mais compacta. Mas a falta da festa oficial já está levando as bandas a colocarem o pé na estrada, procurando cidades vizinhas e unidades do Serviço Social do Comércio (Sesc) pelo Estado.

Pausa. Para alguns moradores, a pausa na folia neste ano pode ser estratégica. “Seria uma boa hora para repensar o carnaval, pois precisa acabar com a bagunça e a baixaria. Muita gente vem de fora para beber, fazer sujeira e até transar na rua. Isso tem de acabar”, diz a aposentada Dolores Ramos. “Quem é daqui está festejando, pois assim podemos ter um carnaval ‘mais família’.”

“Não ter a festa este ano pode impulsionar um outro espírito criativo nos artistas da cidade, um novo grande passo tanto para o carnaval enquanto expressão artística quanto para festa como um evento de grande porte”, diz o músico Camilo Frade.

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Já quem pretendia curtir a folia das marchinhas ficou frustrado, como a estudante Gisele Oliveira, de Salesópolis, que vinha negociando o fretamento de um ônibus para levar 48 foliões a São Luiz do Paraitinga. “Era algo que todos estavam esperando”, lamentou.

Nas redes sociais, o assunto já rende bastante discussão entre os foliões. Na página Paraitinga Online uma postagem já havia rendido mais de 2 mil comentários e outros 2 mil compartilhamentos até o início da tarde desta segunda-feira.

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