Crise entre secretários por causa de greve não atinge governos

Bate-boca entre Tatto e Aith merece elogios no PT, mas não afeta boa relação de Haddad com Alckmin

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 22h30

SÃO PAULO - O bate-boca entre autoridades da Prefeitura e do Estado, por causa da greve, provocou elogios até entre setores do PT que criticam a atuação política do prefeito Fernando Haddad desde a posse, em janeiro de 2013.

Os petistas enxergaram nas palavras duras trocadas entre o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, e o subsecretário estadual de Comunicação, Márcio Aith, a possibilidade de um rompimento entre Haddad e o governador Geraldo Alckmin.

A proximidade entre Haddad e Alckmin é motivo de reclamações no PT principalmente depois das manifestações de junho do ano passado, mas, segundo fontes da Prefeitura, não será dessa vez que os petistas poderão comemorar o azedamento das relações entre o prefeito e o governador.

Omissão. Nesta quarta, Tatto acusou a Polícia Militar de omissão e Aith reagiu dizendo ao vivo na TV que um deputado do PT ligado ao secretário participou de uma reunião com supostos integrantes do PCC. Segundo fontes da Prefeitura, o bate-boca ficou restrito a Tatto e Aith e não contaminou o diálogo entre Haddad e Alckmin. Ainda na quarta, o prefeito e o governador conversaram sobre ações conjuntas para debelar a greve.

O fato de a Polícia Militar se omitir, na avaliação da Prefeitura, diante de supostos atos de sabotagem por parte de grevistas - como rasgar pneus dos ônibus - não foi debitada na conta do governador. De acordo com auxiliares de Haddad, foi "só" mais uma barbeiragem da PM, a exemplo de outros episódios como a omissão diante de crimes na Virada Cultural e a repressão às manifestações de junho.

As declarações de Aith também não foram interpretadas como um ataque à Prefeitura, mas como uma reação eleitoral dirigida a Tatto e ao posicionamento crítico do Ministério Público Estadual quanto à PM.

Nesta quinta, dirigentes petistas saíram em defesa de Haddad e criticaram Alckmin. "Haddad não tem culpa nenhuma. Se houve algum problema, foi o fato de a PM não ter agido, enquanto as ruas ficaram completamente entregues aos grevistas", disse o presidente estadual do PT, Emidio de Souza, coordenador da pré-campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.

"A responsabilidade do Haddad nessa greve é nenhuma. Cabe aos trabalhadores negociar com os patrões, e ao sindicato dos patrões cumprir os acordos", afirmou o presidente municipal do PT, Paulo Fiorillo.

Em conversas reservadas, dirigentes do PT também elogiaram o fato de Haddad ter consultado o governo federal e o Ministério do Trabalho durante os momentos de maior tensão.

‘Guerrilha’. Uma das exceções foi o ex-deputado Ricardo Zarattini, que integrou grupos de resistência armada à ditadura militar e criticou em uma rede social o uso da palavra "guerrilha" pelo prefeito para classificar a greve dos motoristas. "Os motoristas e os cobradores não têm nada a ver com uma suposta e inexistente ‘guerrilha’. Menos, companheiro Haddad!", escreveu.

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