Crise aérea impulsiona vendas de passagens de ônibus

Passageiros de avião estão inseguros com constantes atrasos nos aeroportos

Pedro Henrique França, da Agência Estado

23 de julho de 2007 | 19h58

As empresas de transporte rodoviário já começam a absorver a demanda de passageiros que estão inseguros com os riscos do sistema aéreo, principalmente no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ou aqueles que não querem se deparar com os sucessivos atrasos de aviões, mais acentuados em dias de chuva, quando as operações são temporariamente suspensas, como nesta segunda-feira, 23.   A empresa Itapemirim registrou desde o incidente com a TAM, na última terça-feira, em São Paulo, um incremento de 10% a 15% nas viagens de curta e média duração, como Rio de Janeiro, Curitiba e cidades do Espírito Santo e Minas Gerais - todas com origem em São Paulo. O superintendente da Viação Itapemirim, Ronaldo Fassarella, é incisivo: o usuário do transporte aéreo, que tem esses locais como destino, teve reação praticamente imediata após a maior tragédia aérea do País, que deixou cerca de 200 mortos.   "Diferente do caso da Gol e dos atrasos que vieram em seguida, esse acidente da TAM provocou reação imediata do usuário aéreo e da sociedade como um todo, pela proporção que teve e o fato de ter ocorrido no meio da cidade de São Paulo", afirmou Fassarella. "Essa tragédia mexeu muito mais com as pessoas", emendou.   Quem também registrou significativo aumento de passageiros foi a empresa Auto Aviação 1001. Para se ter uma idéia, as viagens para o Rio de Janeiro, com partida do Terminal Tietê, em São Paulo, registraram só nesta última semana um crescimento de 35% neste itinerário. Na comparação com julho de 2006, o avanço é de 30%. O gerente setorial da empresa, Daniel Oliveira, concorda: o avanço é, entre outros fatores, decorrente da crise aérea e do incidente com a TAM.   "Temos férias escolares, os jogos Pan-Americanos e o resíduo da crise aérea", declara Oliveira. Ele revela ainda que por conta dos problemas no setor aéreo os passageiros estão, sim, optando por encarar os ônibus e as estradas, em vez dos aviões. "As pessoas estão preferindo os ônibus, do que enfrentar os atrasos. Para o Rio, que são seis horas de viagem partindo de São Paulo, este crescimento é maior", informou.   Preços mais baratos e sem atrasos   As vantagens do sistema rodoviário se verificam também nos preços. Uma passagem pela 1001 para o Rio de Janeiro tem valores que variam de R$ 63,00 a R$ 75,00 - este último, em ônibus considerado de "primeira classe". Já na Viação Itapemirim, os preços giram em torno de R$ 55,00.   A aérea Gol comercializa tíquetes, em média, de R$ 199,00 na conexão Rio-São Paulo, com partida em Congonhas e chegada no Santos Dumont. A companhia TAM, por sua vez, oferece passagens que variam de R$ 239,50 a R$ 589,50. Numa comparação com a passagem de R$ 75,00, da Viação 1001, e da mais em conta na TAM, de R$ 239,50, a diferença é superior a 200% ou três vezes maior.   Ou seja, com o valor de um bilhete aéreo que te leva ao Rio, com origem de São Paulo, no sistema rodoviário o passageiro vai e volta e ainda sobra dinheiro para mais um tíquete de ida. Com um adendo: a certeza de chegar com mais precisão no horário previsto.   Ainda assim, apesar dos entraves, as vendas continuam aquecidas no setor aéreo, até porque, segundo especialistas, dois terços das viagens realizadas hoje são de negócios, o que pressupõe a perspectiva de maior agilidade. Com a crise aérea, a saída para os empresários tem sido programar a viagem para um dia antes ou arriscar e contar com a sorte do vôo não ser transferido ou cancelado.

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