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Quadrilhas usam disfarces e estratégias para assaltar condomínios; entenda

Segundo Fernando Belarmino, do Grupo GR, criminosos têm elaborado planos mais criativos para praticar roubo e furto em prédios

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2016 | 07h00

SÃO PAULO - Uma grávida está do lado de fora do seu condomínio, passa mal e pede para entrar. O que você faria? Segundo Fernando Belarmino, COO do Grupo GR, empresa especializada em segurança de condomínios, o conselho vale para todos os casos: não permitir a entrada de ninguém, a menos que a pessoa seja identificada e um morador autorize. “O golpe da falsa grávida é o último que eu fiquei sabendo em São Paulo. O porteiro abriu a porta, foi rendido por ela e os criminosos entraram no condomínio.”

Os disfarces estão em alta na criminalidade. De acordo com Belarmino, os arrastões - que mobilizam muitos bandidos, armamento pesado, carros posicionados em rotas de fuga - são uma “modalidade em desuso” nos assaltos a condomínios. Não é que tenham acabado. Mas, agora, as quadrilhas têm preferido ações menos ostensivas e mais criativas, diz o especialista.

“São tentativas mais simples de invasão, que permite ao criminoso entrar e buscar uma oportunidade. Pode ser uma porta aberta, um andar sem movimento. Esse é o nosso maior risco hoje”, afirma Berlamino. Para ele, isso é reflexo do crime organizado “pensando como empresa”. “Em vez de investir em grandes operações, ele busca colaboradores que usem estratégias diferentes, mais elaboradas.”

A segurança do condomínio depende também de moradores e funcionários, diz Berlarmino. “Se alguém falhar no procedimento, vai haver brecha.” Confira abaixo, na galeria de imagens, outros golpes que foram aplicados em São Paulo para praticar invasões a prédios.

Inimigo íntimo. Roubos e furtos não são os únicos riscos enfrentados pelos condomínios. E nem sempre a ameaça vem do lado de fora. O advogado Rodrigo Karpat, especialista em direito condominal e imobiliário, também relata ocorrências curiosas, além de crimes envolvendo moradores e funcionários. Veja alguns casos abaixo:

1. Vídeo de sexo. Câmeras de segurança instaladas no último andar de um prédio flagaram duas pessoas completamente peladas. Uma delas era menor de idade. A outra, uma travesti. Sem saber o que fazer com as imagens, o síndico convocou uma reunião. A mãe do jovem foi multada, mas, ao descobrir que o rosto do filho havia sido exposto, entrou com uma ação na Justiça. O conselho do condomínio e o síndico respondem criminalmente por exposição.

2. Briga em eleição. As reuniões costumavam ser conturbadas, mas a situação se agravou na eleição de síndico. Ao defender por que deveria ser escolhido, um dos candidatos disse que, do mesmo jeito que não queria um pedófilo cuidando da sua filha, não votaria em pessoas endividadas para cuidar das finanças do condomínio. O problema é que outro concorrente, com passagem pela polícia, entendeu que o homem o havia chamado de pedófilo. O mal-entendido terminou em agressão na frente de todo mundo.

3. Conduzido pela PF. Dois homens desceram de um carro descaracterizado. Na portaria, eles afirmaram que eram agentes da Polícia Federal e pediram para entrar no prédio. O porteiro, então, solicitou identificação. Como os policiais não apresentaram nada, foram barrados na porta. Só que um dos agentes resolveu dar voz de prisão ao porteiro, por supostamente obstruir o trabalho da Justiça. O caso terminou na delegacia.

4. Fogo no vizinho. Era final da Libertadores, o campeonato de clubes de futebol mais importante do continente. Em comemoração ao título, um morador resolveu soltar um rojão da varanda do apartamento. Resultado: acabou caindo no andar de cima. A cortina pegou fogo e os vizinhos, assustados, começaram a berrar. Os bombeiros foram acionados e impediram que o incêndio se propagasse.

5. Cobra em fuga. Um morador tinha uma jiboia de estimação. De tão grande, a cobra ficava do lado de fora do aquário, até o dia em que o dono esqueceu de fechar a varanda. O animal desceu para o apartamento de baixo, onde vivia um bebê de um ano.  Por sorte, a babá viu a cobra e conseguiu retirar a criança às pressas. O morador precisou sair do trabalho para buscar o bicho de estimação no vizinho.

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