Peter Leone/Futura Press
Peter Leone/Futura Press

Quadrilha é presa após ataque a carro-forte na zona leste de SP

Grupo utilizou metralhadora e explosivos em abordagem; houve dezenas de tiros e cinco homens terminaram detidos

Felipe Cordeiro e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2017 | 17h54
Atualizado 10 Novembro 2017 | 21h35

SÃO PAULO - Uma quadrilha armada com metralhadora e explosivos atacou, na tarde desta sexta-feira, 10, dois veículos de uma empresa de transporte de valores na zona leste de São Paulo. Os criminosos atiraram dezenas de vezes contra os carros-fortes e reagiram quando a polícia chegou ao local. Cinco homens terminaram presos, e nenhum dinheiro foi levado. 

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Uma pessoa teria sido mantida refém na fuga. Segundo a TV Globo, na realidade, dois bandidos simularam a ação para tentar enganar a polícia. Segundo a Polícia Militar e relatos de testemunhas, a quadrilha usou um caminhão-baú para colidir de forma proposital contra um carro-forte. Isso fez com que o outro veículo, ambos da empresa Transvip, perdesse o controle e parasse em uma via marginal à Avenida Ragueb Chohfi, em São Mateus, na zona leste da cidade. Outros veículos do grupo se aproximaram e deles desceram homens armados, que começaram o ataque.

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“Foram pelo menos 15 minutos de tiros e três explosões. Foi assustador. Eles falavam para os funcionários: Desce, desce!”, relatou o motorista Breno Navarro, de 25 anos, que chegava com seu caminhão ao mercado onde trabalha, na frente da cena do crime, às 16 horas. Ele parou o veículo como foi possível, se abaixou e entrou rastejando no comércio.

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Em imagens gravadas por Navarro, é possível ver homens atrás de veículos realizando disparos. O motorista ainda chegou a enviar áudios para a mãe, temendo que não fosse sair vivo do local. “Pensei que ia morrer”, disse. No áudio, ele fala sobre o ataque e pede para ela atender o telefone. Veja abaixo:

Na noite desta sexta, viaturas da PM ainda cercavam o local do ataque, onde se viam pedaços de lataria dos veículos que foram alvo da quadrilha - funcionários da empresa ainda inspecionavam o lugar. O caminhão-baú usado para causar o descontrole dos veículos também estava no mesmo local em que ficou durante a tarde.

O barulho foi o que despertou a atenção do atendente João Lopes, de 20 anos. 

Trabalhando no mercado na frente do local do crime, ele se escondeu nos fundos para se proteger. Um vidro estourou durante o ataque, mas os proprietários não sabem se foi por causa de disparo ou em razão do estrondo das explosões. “Aqui, saiu todo mundo correndo. Os caras estavam armados até os dentes”, disse Lopes. “Ficamos escondidos e só saímos quando a polícia apareceu.”

Na fuga, o bando incendiou três veículos - dois caminhões pequenos e uma van - na Ragueb Chohfi para dificultar a perseguição. Ainda assim, guarnições da PM chegaram aos criminosos e houve troca de tiros. Um dos suspeitos entrou em um mercadinho. Outros cinco foram presos por agentes do Departamento de Investigações Criminais (Deic).

Casos

Ataques a carros-fortes e empresas de transporte de valores se tornaram comuns no Estado de São Paulo nos últimos dois anos. Em todos os casos, o modus operandi das quadrilhas foi parecido. Os criminosos com alto poder de fogo e em veículos rápidos incendiaram caminhões e carros para bloquear ruas e agiram em várias frentes ao mesmo tempo para evitar a reação policial.

No mês passado, uma quadrilha com cerca de 30 homens fortemente armados explodiu a sede da empresa de transporte de valores Protege, roubou o dinheiro e espalhou o terror na área urbana de Araçatuba, na região noroeste do Estado de São Paulo.

No dia 6 de novembro de 2015, uma quadrilha com ao menos 20 homens atacou a unidade da Prosegur em Campinas. O bando bloqueou as ruas, à margem da Rodovia Santos Dumont, metralhou a empresa e usou explosivos para detonar o cofre.

Em 13 de março de 2016, uma quadrilha usando armas de guerra incendiou veículos e explodiu a sede da Protege no bairro São Bernardo, em Campinas. O bando teria levado R$ 50 milhões, mas parte da quadrilha foi presa. 

 

No dia 4 de abril de 2016, criminosos explodiram e assaltaram a base da Prosegur em Santos. Houve troca de tiros, perseguição e três pessoas - dois policiais e um morador de rua - morreram. Não foi divulgado o valor roubado.

Já no dia 5 de julho do mesmo ano, cerca de 40 homens atacaram a empresa Prosegur, no bairro Campos Elíseos, em Ribeirão Preto. Durante a fuga, os bandidos mataram um policial militar rodoviário e um morador de rua. Eles teriam levado de R$ 40 a R$ 50 milhões.

Neste ano, uma quadrilha de brasileiros foi agir no Paraguai. Cerca de 40 homens cercaram e explodiram o prédio da Prosegur em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil. O bando teria roubado R$ 120 milhões - valor contestado pela empresa. Um policial e três suspeitos foram mortos.

Em outros Estados, conforme a Associação Brasileira de Empresas de Transportes de Valores (ABTV), houve um ataque no dia 5 de setembro a uma base da Prosegur, em Marabá, no Pará, e no dia 11 de dezembro, a uma empresa não divulgada, em Teresina, no Piauí.

O número de ataques a carros-fortes, geralmente com explosivos, também está crescendo em todo País, segundo a associação. Foram 76 em 2015, número que subiu para 94 no ano passado. Neste ano, até setembro, já somam 76 casos. Segundo a ABTV, as empresas associadas respondem pela movimentação de cerca de R$ 20 bilhões por dia em todo o País. 

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