Criminalistas divergem sobre pena e ação contra defensora

Críticos consideram 'disparate' longos anos de reclusão. Outros dizem que pesada é 'a pena de morte de Eloá'

CAMILA BRUNELLI, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2012 | 03h01

Advogados criminalistas ouvidos pelo Estado criticaram a pena aplicada pela Justiça. Para o criminalista Alberto Zacharias Toron, a sentença da juíza Milena Dias "é um disparate". Ele considera uma pena adequada algo em torno de 50 anos. "A juíza não levou em conta o fato de ele ter confessado nem de ele ser réu primário", disse Toron.

O criminalista Roberto Podval está de acordo. "Foi um júri complicado, polêmico e de pressão enorme. O papel do juiz é entender o que se passa e fazer com que o andamento do júri seja o mais tranquilo possível." Podval também considerou a sentença muito pesada. Ele defendeu o casal Nardoni.

Tales Castelo Branco vem na contramão das opiniões dos colegas. "Eu não acho a pena excessiva. Pesada foi a pena que ele (Lindemberg) condenou a Eloá, a pena de morte."

Para o criminalista Leonardo Napoleão, do Complexo Educacional Damásio de Jesus, há espaço para a defesa recorrer caso considere a pena excessiva. Ele explicou, no entanto, que o Tribunal de Justiça não pode mudar a decisão do júri, que condenou o acusado. Só pode reformar a decisão técnica da juíza. "É possível pedir na segunda instância que a pena seja recalculada a partir de alguns atenuantes. Ela pode alegar que ele era primário e tinha bons antecedentes, entre outros atenuantes", disse.

Mão pesada. O criminalista Roberto Parentoni diz que a sentença mostrou a "mão pesada" da juíza. "A tese de homicídio culposo foi derrotada. Para ser mais bem aceita, a advogada deveria ter apresentado provas dessa tese no decorrer do processo."

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