WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Crime organizado muda estratégia para abastecer os usuários de crack em SP

Com o fim da ‘feira livre’ de drogas que havia na Rua Helvétia, traficantes se deslocaram para a Praça Princesa Isabel

Felipe Resk e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 03h00

SÃO PAULO - A estratégia do crime organizado para abastecer os usuários de crack na região central de São Paulo mudou. Se antes havia uma “feira livre” na Cracolândia – com barracas equipadas até com máquinas de cartão de crédito –, os traficantes agora usam motocicletas para fazer entrega de entorpecentes. É o que afirma o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves.

Depois da megaoperação que lacrou pontos de refino e de distribuição de drogas e prendeu 53 pessoas, no domingo, os usuários da Cracolândia se espalharam pela cidade. Com a ação, a maior parte deles passou a concentrar-se na Praça Princesa Isabel, a menos de 600 metros do fluxo antigo. O local está entre os mapeados pela Prefeitura.

Apesar de haver uma base da Polícia Militar na Princesa Isabel, a droga continua chegando ao novo “fluxo”. Segundo Mágino, no entanto, o volume é em menor escala. “Está entrando droga? Está, porque eles (os traficantes) passam por lá com moto e jogam a droga”, afirmou.

Comerciantes da região estão fechando as lojas mais cedo e já cogitam abandonar o local. Dona de um restaurante na frente da praça, Sirlene Saad diz que tem fechado o comércio antes das 17 horas para evitar o fluxo. “As pessoas estão com medo, o público diminuiu. Lá (na Rua Helvétia), eles tinham um espaço deles, mas aqui é nosso, nós pagamos impostos”, reclama.

Ela conta que precisa passar entre os usuários na praça para entrar no prédio onde mora. “Em casa, estou tendo de dormir em outro cômodo, porque a janela do quarto fica de frente para a rua e entra um cheiro insuportável de droga.”

Futuro

 O secretário afirmou não haver operação prevista no local, mas reforçou que a prioridade da pasta é de combater o tráfico de entorpecentes – e não abordar os usuários. “A gente vai continuar fazendo isso, para que a droga não chegue para aquele grupo de pessoas.” Nesta semana, um suspeito foi preso em flagrante na área.

Há duas semanas, o Estado revelou que o PCC havia implementado um modelo semelhante ao da concessão de franquias para comandar o tráfico de drogas na Cracolândia. “O crime organizado levava o entorpecente para um lugar e distribuía para todos os franqueados dele”, disse Mágino. “Nós acabamos com esse tipo de coisa. A logística deles, hoje, está completamente afetada.”

O titular da Segurança Pública afirmou ainda que o reforço de policiamento continua a ser a principal estratégia para evitar a formação de uma nova Cracolândia nos moldes da anterior. “Isso vai permitir que a gente diminua cada vez mais o ingresso de drogas na região central”, disse. “Nós vamos continuar lá até que a região esteja totalmente estabilizada.”

A pé

 Um vídeo, divulgado nesta quinta-feira, 25, pela TV Globo, também mostra traficantes atuando pé para abastecer o “novo fluxo”. Segundo a reportagem, o crack é negociado sob o Viaduto Orlando Murgel, na entrada Favela do Moinho, onde a polícia prendeu dois líderes do tráfico no domingo. De lá, a droga também é levada para a Praça Princesa Isabel, a pouco mais de um quilômetro de distância, e vendida aos usuários que estão lá. 

 

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