Crime de Mairiporã: vítima saiu sozinha

Imagens de câmeras do prédio da dona de casa indicam que ela deixou a garagem às 23h26, horas antes de ser encontrada morta

CRISTIANE BOMFIM, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2012 | 03h04

Imagens da câmera de segurança do prédio em Lauzane Paulista, zona norte da cidade, onde morava a dona de casa Geralda Lúcia Ferraz Guabiraba, de 54 anos, mostram que ela saiu sozinha de casa às 23h26 de sexta-feira, horas antes de ser encontrada morta em Mairiporã, na Grande São Paulo, na madrugada de sábado para domingo.

A delegada Cláudia Patrícia Dalvia, titular da Delegacia Geral de Polícia de Mairiporã, vai solicitar também as imagens de câmeras de imóveis que ficam no trajeto supostamente percorrido pela vítima.

O corpo da dona de casa foi encontrado ao lado do carro da família, um Chevrolet Tracker, em uma área conhecida como Pedra da Macumba, no km 8 da Estrada Santa Inês, em Mairiporã.

A Polícia Civil enviará hoje o computador de Geralda para perícia no Instituto de Criminalística (IC). Também será pedida a quebra do sigilo telefônico da vítima para saber com quem ela manteve contato.

Conhecidos. A dona de casa havia saído de casa sem o celular e sem a bolsa. Segundo a polícia, parentes disseram que os últimos chamados no celular de Geralda apenas registravam telefones de pessoas conhecidas.

A delegada informou que pretende tomar os depoimentos do porteiro do prédio e do genro da vítima hoje. Segundo ela, os dois não serão ouvidos na delegacia por causa do assédio da imprensa na cobertura do caso.

As principais hipóteses investigadas pela polícia para esclarecer o assassinato de Geralda são magia negra ou vingança.

A dona de casa foi encontrada com um corte profundo no pescoço e o rosto desfigurado: pele e olhos foram arrancados. No local havia três cestas de vime vazias, mas ainda não é possível determinar se elas têm alguma relação com o crime.

O local onde foi achado o corpo de Geralda fica a cerca de três quilômetros da divisa de Mairiporã com a zona norte da capital paulista e é usado para rituais religiosos.

Por esse motivo, a polícia também trabalha com a hipótese de Geralda ter sido assassinada durante um ritual de magia negra.

No local do crime ainda foram apreendidos um caco de vidro sujo de sangue e um pedaço de taça. Dentro do carro, havia uma garrafa plástica e um copo de alumínio com restos de uma substância branca, que pode ter sido usada para dopar a vítima.

A delegada não descarta também a hipótese de vingança - levantada após investigadores apreenderem objetos e informações na casa de Geralda -, mas não detalha porque o crime teria sido praticado por esse motivo. "Prefiro não falar porque isso atrapalharia as investigações", disse Claudia, anteontem.

O marido de Geralda, o publicitário José Pereira Guabiraba, disse informalmente à polícia que viu a mulher pela última vez já de pijama. Ele não a teria visto sair de casa porque toma remédios para dormir.

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