Crime de Mairiporã: polícia apreende computador da vítima

Corpo de dona de casa foi achado ao lado do carro da família na Estrada Santa Inês, a 3 km da divisa com São Paulo

MARIANA LENHARO, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2012 | 03h01

As principais hipóteses da polícia para o assassinato da dona de casa Geralda Lúcia Ferraz Guabiraba, de 54 anos, são magia negra ou vingança. Mas, segundo a delegada Cláudia Patrícia Dalvia, de Mairiporã, as informações colhidas até o momento são vagas.

O corpo da dona de casa foi achado na madrugada de sábado ao lado do carro da família em uma área conhecida como Pedra da Macumba, no km 8 da Estrada Santa Inês. A chave estava no contato e nada foi roubado. Geralda saiu de casa sem levar bolsa, documentos ou celular. O local fica a cerca de 3 km da divisa com São Paulo e é usado com frequência para rituais religiosos. A vítima tinha um corte profundo no pescoço e o rosto desfigurado: pele do rosto e olhos foram arrancados.

Na região, havia três cestas de vime vazias, mas ainda não é possível determinar se elas têm relação com o crime ou já estavam ali. Também foram achados um caco de vidro sujo de sangue e um pedaço de taça, recolhidos pela perícia. No carro, um Chevrolet Tracker 2008, havia uma garrafa de plástico e um copo de alumínio com resto de substância branca. "A perícia vai determinar se é algum entorpecente. Acredito que ela tenha sido sedada. Aparentemente, o corpo não apresentava sinal de luta", disse a delegada.

Segundo ela, nenhum depoimento ainda foi colhido porque a família está muito abalada. O primeiro a ser ouvido deve ser o genro - o parente que mais teve contato com investigadores por estar mais calmo. O marido e os filhos serão ouvidos quando se sentirem preparados. Porteiros do prédio também vão depor nesta semana.

Informalmente, a família contou à polícia que Geralda era calma, muito católica, cuidava da casa e tinha "hábitos normais para uma dona de casa de 54 anos". "A única coisa é que vinha de um quadro depressivo e tinha deixado de tomar antidepressivos fazia um tempo por conta própria. E parece que ficava muito tempo na internet", disse Cláudia, que acredita que a análise do computador será determinante para confirmar ou afastar hipótese de relação com magia negra. Ontem, policiais recolheram o computador e o celular de Geralda. A ideia é descobrir em que sites ela entrava e com quem falava.

Policiais também pediram imagens das câmeras do prédio, em Lauzane Paulista, zona norte. Elas serão entregues hoje pelo síndico. Ainda não se sabe o horário exato em que Geralda saiu de casa nem se saiu sozinha. Seu marido - o publicitário José Pereira Guabiraba, um dos diretores da área comercial do Grupo Estado - relatou informalmente à polícia que, na última vez em que a viu, ela já estava de pijama. Ele não a teria visto saindo de casa porque toma remédios para dormir. Apesar de evidências preliminares apontarem magia negra, Cláudia disse que informações e objetos colhidos ontem podem levar também à hipótese de vingança. "Mas prefiro não falar porque atrapalharia, e muito, as investigações."

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