Crime cai, mas taxa de homicídio preocupa

Assassinatos diminuíram 12,6%, mas nº do trimestre ainda é 2,6% maior que o de 2009

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

A criminalidade em São Paulo viveu no primeiro semestre deste ano um momento de queda generalizada e de estabilização dos casos de homicídio em relação ao mesmo período de 2009. Se nos primeiros três meses do ano houve um aumento de 23% dos casos de assassinato na capital, a tendência se inverteu no segundo trimestre, com uma queda de 12,6% - comparado com o ano passado, o acumulado do ano ainda tem uma alta de 2,6%.

Ao se analisar a evolução mês a mês fica clara a tendência de queda, com o pico de aumento ocorrendo em janeiro e com o número mais baixo em junho - 72 casos na cidade, uma queda de 18% em relação a junho de 2009 (88 assassinatos). Junho, aliás, registrou uma taxa de homicídios por 100 mil habitantes abaixo de 9, a menor da história.

Os roubos e furtos também conheceram quedas significativas na capital a ponto de as cúpulas das Polícias Civil e Militar terem comemorado os dados. Os roubos na capital caíram 11,8% em relação ao mesmo período de 2009, quando foi registrado o recorde da série histórica iniciada em 1995 no Estado. Os furtos diminuíram 7,6%. Os roubos de automóveis ficaram 5,6% abaixo e os furtos de veículos tiveram redução de 6,5%.

Na análise dos policiais, além da recuperação econômica que vive o País, ações de prevenção e repressão ao crime desenvolvidas pelas duas polícias também teriam contribuído para a redução da criminalidade. Outro fator importante teria sido a diminuição da circulação de armas de fogo em São Paulo.

É possível constatar esse fenômeno por meio das apreensões de armas feitas pela polícia. Conforme o crime aumentou no fim de 2008 e começo de 2009, as apreensões cresceram. Agora, dizem delegados e coronéis, o número voltou a cair. O aumento da circulação de armas de fogo estaria relacionado ao crescimento da insegurança por causa da piora dos índices de crimes contra o patrimônio. Estes subiram antes no começo da crise econômica. A maior circulação de armas só foi ter efeito sobre os homicídios depois.

O que os especialistas da Segurança Pública agora se perguntam é se há ainda espaço para mais quedas nos índices de crime. No caso dos homicídios, caso a tendência seja mantida no terceiro e no quarto trimestres, São Paulo poderia fechar o ano com menos de 10 assassinatos por 100 mil habitantes, uma meta que parecia impossível há dez anos, quando a cidade chegou a ter 52,5 casos por 100 mil habitantes - em 2009, essa taxa ficou em 11,25.

A região de Santo Amaro (23 crimes) e as zonas oeste (14 casos) e norte (11) lideram o ranking de junho desse crime. A maior queda foi registrada na região de São Mateus (-70%), seguida por Itaquera (-42,8%) e a zona norte (-35%). O dado negativo foi o aumento em junho dos casos em Santo Amaro (21%).

Entre os principais crimes contra o patrimônio, as maiores quedas foram registradas no caso dos roubos de carros (20,6%) e roubos em geral (19,3% na região central de São Paulo). As zonas oeste e a sul lideraram o ranking de roubo e roubo de veículos, respectivamente.

Bancos

Apenas o roubo a banco registrou um aumento numérico no Estado no 2º trimestre deste ano. O crescimento foi de apenas um caso, o que estatisticamente é considerado estabilidade.

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