Crianças são mais vulneráveis à violência, diz especialista

Em 4 dias, duas vans escolares foram interceptadas por bandidos e as crianças viveram momentos de pânico

Gustavo Miranda - estadao.com.br,

28 de fevereiro de 2008 | 16h59

Crianças que são submetidas a situação de extrema violência, como as que estavam em uma perua escolar que foi rendida por bandidos, na manhã desta quinta-feira, 28, em Taboão da Serra, são muito mais vulneráveis às seqüelas do estresse pós-traumático. A afirmação é da coordenadora do núcleo infanto-juvenil do Programa de Atendimento a Vítimas da Violência Urbana (Prove) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a psicóloga Daniela Galvão. Para ela, os pais precisam ficar atentos aos sintomas que as crianças apresentarem, depois de submetidas à violência urbana, para um diagnóstico rápido. Veja também:Bandidos roubam perua escolar com alunos em SP Em quatro dias, esta é a segunda vez que alunos são expostos a situação violenta na Grande São Paulo. Na segunda-feira, um bandido ferido, em fuga, interceptou uma van cheia de crianças, que também viveram momentos de pânico. "O estresse pós-traumático é uma forma de ansiedade, que se segue à experiência de um acontecimento particularmente traumático sobre o plano psicológico. As crianças em idade escolar e pré-escolar não têm todos os recursos psíquicos para lidar com a violência. Por isso mesmo, estão muito mais vulneráveis", explica a psicóloga, que lida com casos deste tipo há pelo menos um ano no Prove. Ao mesmo tempo que elas são muito mais vulneráveis, para o alívio dos pais, a maioria delas tem poder de recuperação muito mais rápido que um adulto. "Elas ainda não distinguem a realidade da fantasia. Então, tudo isso vai depender da maneira como os pais lidam com as violência. A possibilidade de esta situação se tornar numa doença psiquiátrica crônica existe, mas lidando com o problema, sem escondê-lo, é muito mais fácil de resolver e curar", explica a psicóloga. As crianças costumam apresentar sinais que são muito mais claros de que estão sofrendo os efeitos da violência. Segundo a psicóloga, os sintomas sentidos por elas podem ser semelhantes aos dos adultos, no entanto, deve-se ter atenção em relação a algumas manifestações que podem ocorrer a longo prazo. "Medo de morrer numa idade precoce, perda de interesse pelas atividades normais, dores no corpo sem motivo aparente, pesadelos, e até comportamentos mais violentos são sinais de que algo não está bem", diz.  No caso do estresse pós-traumático, as intervenções terapêuticas mais eficazes são a psicoterapia. Para a psicóloga da Unifesp, "crianças respondem muito bem ao tratamento ambulatorial. Apesar de elas serem bastante vulneráveis, minha experiência é muito satisfatória com psicoterapia, porque a gente vê que o potencial de recuperação é muito grande".

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