Crianças eram recrutadas por traficante em Jundiaí

Jovens a partir de 10 anos contratados para cuidar de animais depois eram aliciados para transportar drogas

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2012 | 03h06

Um esquema de aliciamento de menores pelo tráfico de drogas no bairro do Varjão, na periferia de Jundiaí, interior de São Paulo, foi desbaratado pela polícia na última semana. Segundo as investigações, crianças a partir de 10 anos e adolescentes eram cooptados por traficantes para cuidar de animais na área rural da cidade e depois trabalhavam como "aviõezinhos" (que levam e trazem drogas).

Três adultos foram presos e duas crianças encaminhadas para a Fundação Casa.

Segundo os pais, as crianças deixavam de ir à escola para cuidar de vacas e cavalos do traficante Edvaldo Aparecido Pitta, o Mirão, de 51 anos. "Ninguém entendia ao certo até então, não se sabia do que eles estavam tratando", disse o delegado seccional de Jundiaí, Italo Miranda Júnior.

A polícia descobriu que Mirão, chefe do tráfico na área, pagava entre R$ 5 e R$ 10 por dia, mais marmitex, para as crianças cuidarem dos animais dele na comunidade. Ele então escolhia os mais desinibidos para levar e trazer drogas e dinheiro por até R$ 100 por dia. Ao menos 18 crianças participariam do esquema. "Ele via aqueles que eram mais rápidos, que tinham desenvoltura, e aliciava para o tráfico", disse Miranda Júnior.

As investigações duraram cerca de três meses. Foi usado até um helicóptero da prefeitura para fazer o mapeamento das ações. A polícia descobriu que as drogas eram transportadas em garrafas vazias, sem despertar suspeitas. "Se quem levava a carga fosse parado, a polícia nunca olharia o engradado. Fazia a revista pessoal, não achava nada e liberava o suspeito", explicou o delegado. Mirão teve a prisão preventiva decretada no início deste mês.

Social. "Eles já sentiram o gosto, perceberam que sem estudo nem esforço conseguem ganhar um dinheiro aparentemente fácil. É preciso que o poder público faça um trabalho para evitar que os jovens voltem a delinquir", disse Miranda Júnior.

Segundo o delegado, foi possível notar que alguns dos pais sabiam qual era a atividade dos filhos e não falavam nada porque eles traziam dinheiro para casa.

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